sexta-feira, 27 de março de 2009

FORNO CATENÁRIO





Foram quatro dias de construção do forno catenário. Definição do local, preparo do chão, limpeza dos tijolos (comprei usados e parte deles foi necessário dar uma limpada), confecção da zimbra, preparo das massas, etc. Foi demorado, tudo teve que ser decidido. O Joaquim Parreira Pimentão, ceramista português que comandou a construção definia os parâmetros a serem seguidos e a equipe mandava bala. Foi um pouco cansativo "descascar"tijolos com facão, enxada ou machadinha, quero dizer, limpar os tijolos usados que ainda tinham massa grudada. Mas, aos poucos, a obra foi saindo. Usei tijolos de alta alumina. Parte deles, continham até 65% de alumina, mas a maioria com 47% de alumina, aproximadamente. Com esse material, a maioria usado, tenho condições de subir a temperatura do forno para 1300 graus centígrados tranquilamente.
O forno catenário tem aquela curva belíssima. O aspecto do forno tem um charme especial e achei um encaixe perfeito no terreno do meu ateliê. Usei para a construção do arco somente tijolos novos que tinham sido queimados a 1400 graus centígrados, alguns pareciam até vitrificados. Comprei um cimento refratário especial para esta parte da construção. Para o rejunte das demais partes do forno preparei uma massa com as argilas e caulins aluminosos aqui da região de Curitiba. O chamote também é o refratário comprado da cidade da Lapa aqui do Paraná. Para a parte externa adicionei 30% de serragem para melhorar o isolamento do forno.
Foi uma construção um pouco vagarosa, mas foi indo, indo. Alguns dias uma leve garoa caía e improvisei uma cobertura que ficará até que forno esteja completo, quando, então, providenciarei uma construção que servirá também para proteger as lenhas.
Assim que o forno estiver bem seco farei uma nova vivência, juntamente com o Joaquim que tem experiência bastante grande em vidrados de Sal e inauguraremos o forno. Bem este forno estou construindo com o objetivo de fazer queimas com vidrados a Sal. Esta vivência que pretendo fazer será aberta aos interessados que ganharão uma peça ou a levarão já pronta e faremos a queima.
Preparamos, também, no final da Vivência de Construção do forno alguns quilos de massa para cada um dos participantes. Usei uma argila plástica, outra mais plástica ainda, aqui da Região Metropolitana de Curitiba, com alta alumina, adicionei 5% da argila vermelha plástica que uso sempre em minhas massas, para dar um tom mais escuro, mais um chamote grosso para o aspecto rustico, um pouco de areia, caulim aluminoso e um pouco também de filito avermelhado. Esta massa, para alta temperatura, será testada com o vidrado de sal.

quarta-feira, 25 de março de 2009

CURSO CERÂMICA BÁSICA EM TIBAGI-PR







Neste mês de março completei um curso de Cerâmica Básica na cidade de Tibagi, aqui no Paraná. Este curso foi patrocinado pelo Senar-PR. São 64 horas, oito dias. Neste curso construí, junto com os participantes, um forno na primeira etapa de depois na segunda etapa queimamos as peças. Este forno atinge 800 graus centígrados. Forno construido com tijolos comuns, de 4 furos. Usamos como combustível galhos finos de eucalipto para a parte final da queima. O eucalipto é uma lenha excelente para queimar cerâmica. A bracatinga e a vassoura também são lenhas ótimas, só que estas duas últimas são mais leves, gasta-se mais lenha, porém dão muita chama e quase nada de brasa, o que é uma vantagem. Saiu tudo certinho. Algumas peças apresentaram coração negro. O problema destes cursos, com relação à queima é que o forno é recém construído e ainda não foi queimado. Por isso, a primeira queima, já com as peças, fica mais difícil, o resultado ainda não é o melhor do forno. A queima é feita em 8 a 9 horas, ou seja, durante um expediente normal de trabalho. É tudo muito rápido.
Os participantes não conheciam queima de raku, por isso, para melhor ilustrar essa possibilidade levei meu forno feito em tambor de metal revestido com fibras cerâmicas, que é muito leve e cabe tanquilamente no carro. É uma mão de obra levar esse forno, mas o resultado é muito positivo e as pessoas gostam demais e anima a turma para trabalhos futuros, que é o meu objetivo. Sempre tenho que encontrar argila plástica na própria localidade para usar e ensinar como se prepara uma massa. Primeiramente procuro por uma olaria, para facilitar o trabalho. Se a massa da olaria for boa, posso usar diretamente no artesanato e isso economiza muito tempo. Todavia, em Tibagi, apesar de ter duas olarias, os tijolos fabricados são pouco resistentes e a massa não se presta muito para modelado. Ela presta-se bem para peças prensadas, como placas, por exemplo. Mas para confeccionar panelas não serve. Não tem resistência à tração. Arrebenta com muita facilidade. Procurei e não encontrei nenhuma argila plástica que susperasse essa dificuldade. Levei um pouco da argila plástica que uso, das margens do Rio Miringuava, de São José dos Pinhais, na região Metropolitana de Curitiba, misturei com as argilas de Tibagi e o resultado foi bom. Conclusão: o ideal é importar um pouco de argila plástica de outra região, o que deixo sugerido e com enderêço. No caso, argila plástica de Balsa Nova (também próximo de Curitiba).
O curso não tem continuidade, porque terminado o mesmo não retorno mais a Tibagi, a menos que solicitem este curso para o Senar. Isso não é bom, porque esfria o ânimo daqueles que participaram do curso. Entabular uma negociação junto ao poder público para montar um centro de cerâmica é complicado. Somente se conseguisse um patrocínio. Bem, Tibagi tem características diferenciadas e poder-ia fazer um trabalho da melhor qualidade. Por exemplo, em Tibagi já foi local de extração de diamantes, o que ainda é feito com produção baixíssima, mas tem a tradição do garimpo que que pode ser incorporado ao artesanato cerâmico, incluindo algumas pedras semi-preciosas que existe na região, principalmente nas bijuterias. Tibagi tem uma cooperativa com sede própria, onde a tecelagem é o forte do artesanato. Muito bem feito, usando principalmente lã de carneiro. Também pode ser usado cerâmica para compor o artesanato de tecelagem. Por isso, acho que Tibagi é um grande lugar para se fazer um trabalho completo, com resgate histórico, incorporação no artesanato local com design, etc. Tá lá, pronto, pedindo.
Este trabalho de cerâmica é tão intenso, exige tanto que, por vezes, esqueço de fotografar. Não é moleza! Procuro uma massa para trabalhar, para isso saio pelos locais conhecidos na cata de material usável. Ensino as técnicas básicas de cerâmica. Construo forno. Acabamento nas peças e depois queima. Tudo novidade. Sempre encontro pessoas com habilidades que aprendem rapidamente e , em seguida, já apresentam melhoria e alguns dão salto de qualidade. Isso é gratificante, por isso vale o esforço. Encontro, também, pessoas que já conhecem algum ofício de artesanato escultórico, como é o caso do Rosnei e do Reale, daí fica fácil para todos.
Tibagi é uma cidade que atrai muitos turistas. Já foi considerada, há poucos anos, a Melhor Cidadezinha do Brasil. O cânion do Guartelá fica a 20 km da cidade. Este cânion é belíssimo. Vem pessoas de toda parte para visitá-lo. Tem um parque com 800 hectares. Acampei nas cercanias do parque após o término do curso. Gostei demais de caminhar pelas trilhas e sentir as vibrações fantásticas daquele ambiente de arenito, formado no período devoniano. A foto é de lá. Numa delas aparece uma parte protegida com rocha avançando, formando uma proteção. Neste local encontram-se alguns desenhos considerados milenares.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Construção de Forno Catenário

VIVÊNCIA DE CONSTRUÇÃO DE FORNO CATENÁRIO



Estou convocando todos os interessados em aprender a construir um FORNO CATENÁRIO, à lenha, para queima de cerâmica a 1250 graus centígrados.
Este forno sera usado para vidrados a SAL.


O QUE É:

Forno catenario tem esse nome devido ao formato da abóboda. Vem de cadena, catena, catenario, corrente. Se pegarmos uma corrente de metal e a segurarmos nas duas pontas, a curva formada pelo peso próprio do material chama-se curva catenaria. Se desenharmos esta curva, por exemplo, numa chapa de compensado e rebatermos a curva inferior e girando-a como parte superior, teremos a curvatura da abóboda do forno, curva do forno catenário. Depois disso é construir a zimbra (estrutura que segura a montagem da abóboda para que os tijolos não caiam) e usar como apoio.
Pretendo construir um forno deste formato aqui no meu espaço cerâmico. O volume interno do forno, útil, sera de, aproximadamente, 90 cm x 90 cm x 90 cm.
Será um forno de tiragem invertida. Tiragem invertida é quando a chaminé começa da altura do chão do forno. O calor do fogo sobe e para sair terá que ser pela parte inferior do forno,. A chaminé sera de aproximadamente 4 vezes a altura do forno. A construção usará tijolos refratários de alta densidade. O forno terá duas entradas para lenha, laterais.


ONDE:

O forno Catenário sera construído no Ateliê de Cerâmica de Giberto Narciso, no Sítio Porangaba, na Estrada da Graciosa de Quatro Barras – PR, Região Metropolitana de Curitiba. Quem quiser participar e não souber como chegar, é só confirmar a participação e solicitar mapa. Aqui tem Hotel, próximo, SOL INN, novo, com preço especial. Para chegar até a chácara, será resolvido de acordo com cada caso.


QUANTO TEMPO DEMORA:

Está prevista a construção em no máximo 4 dias, pois pretendemos construir tudo, desde a zimbra, preparo da massa de rejunte, e assentamento de todos os tijolos, mais ainda a camada isolante após o tijolo refratário.







QUEM VAI CONSTRUIR:

Todos os participantes da Vivência podem colocar a mão na massa é é essencial que isso aconteça, pois com uma equipe funcionando tudo fluirá melhor, talvez em menor prazo.
A construção sera comandada pelo Ceramista Português Joaquim José Parreira Pimentão. É especialista em vitrificação a sal e construção de forno catenario. Sobre o Joaquim, seu trabalho cerâmico, estaremos mostrando nos dias da construção, inclusive apresentando-o para a comunidade cerâmica participante. Joaquim chegou recentemente no Brasil e está começando a trabalhar aqui no Paraná.


QUANTO CUSTA:

Para os 4 dias de Vivência, podendo ser fotografado, filmado, etc, o custo será de R$ 180,00 por pessoa. Neste valor estão incluídas as 4 (quatro) refeições, café da tarde, garrafa térmica com chá e café permanentemente, com bolachás, pão, etc.
O preço do pacote é o mesmo para qualquer número de dias que a pessoa queira participar. Número máximo de pessoas = 15.


O QUE MAIS TEM:

O ateliê ficará à disposição de todos os participantes com toda a sua infraestrutura para confeccionar algum trabalho. Para isso cada participante terá direito a 5 kgs de massa para alta temperatura que deverá ser confeccionada por ele próprio, com os equipamentes, materiais existentes e assessoria minha, caso não saiba como compor uma massa de alta temperatura.
O que for produzido poderá ficar no ateliê ou ser levado embora. Pretendemos, posteriormente, fazer nova vivencia, de um dia, para a queima de VIDRADO DE SAL, onde o participante poderá queimar a própria peça.
O ateliê fica numa chácara com espaço verde, riozinho, que pode ser aproveitado.


QUANDO:

A Vivência está programada para os dias 17, 18, 19 e 20 de marco, terça, quarta, quinta e sexta-feira, com início às 9 horas da manhã e término às 17 horas, de cada dia.








COMO CONFIRMAR A PRESENÇA

Para confirmar a participação, entrar em contacto com e-mail gpnarciso@hotmail.com, o quanto antes possível, para garantir a estratégia sem falhas principalmente no número de participantes.


PAGAMENTO:

Após a confirmação entrarei em contacto com o interessado para efetivação dos detalhes.


Um abraço para todos e quero completar dizendo que a construção do forno será feita independente do número de pessoas..

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

EXPOSIÇÃO DE FOTOS E CERÂMICA


Está contecendo no Museu Botânico do Jardim Botânico de Curitiba uma exposição de Fotos e Cerâmica. As fotografias são do meu Filho Lauro Narciso e as cerâmicas são minhas. Meu filho estuda Biologia em Vitória. Por isso, pegou bem a Exposição do "pai e do filho do Espírito Santo".
O Lauro clicou suas fotos na Ilha da Trindade onde fêz um trabalho de acompanhamento da desova de Tartarugas pelo projeto Tamar. São fotos de paisagem, plantas e animais. Lauro trabalha com fotografia desde os 15 anos, hoje tem 26. Sempre gostou de preto e branco, porém na era digital teve que aproveitar e mesmo porque ficou um pouco fora da realidade a compra de filmes negativos, a revelação dos filmes e posteriormente a revelação em papel. O custo é elevado, pouco prático. A câmera digital foi uma revolução na fotografia. Sem falar que hoje até para tossir espera-se um segundo para que alguém saque a câmera e registre o momento, Isso, realmente, virou um saco.
Minhas peças, são principalmente vasos confecionados em várias técnicas. Raku, alta temperatura, vidrados de cinza, argila, granito, basalto, terracota. Os vidrados são composições que estou pondo em prática, resultado do aprendizado constante a que me entreguei nos últimos tempos. Por isso, o que aparece são vidrados diferentes e inusitados. Tenho inúmeras peças torneadas. Muitas com os bicos altos, que é um estilo que gosto,que venho desenvolvendo e pelo jeito ainda vai demorar um bocado.
Neste local também é permitida a venda, então, se alguém se agradar de alguma peça é só deixar o cacau e já leva prá casa. Os preços são acessíveis, como também das fotografias.
A Sala de Exposições do Museu do Jardim Botânico é muito frequentada pelo nosso querido povão. Assim, é um prazer deixar alí, muito embora não seja o público que desenbolsa e leva a obra, para ser apreciado, a maioria das vezes com um olhar meio desinteressado, possivelmente focado nas preocupações do dia a dia e com o trabalho, o expediente que já está chamando. A previsão de visitação para o período de 14 de fevereiro a 01 de março é de 10.000 pessoas.
De qualquer forma mostrar para o povo e ser olhado pelo povo é muito bacana. Eu gosto, meu filho também. O povo precisa de... todo mundo sabe, o resto é balela.

CERÂMICA BÁSICA - MEU ATELIê


Durante o mês de janeiro dei um curso de Cerâmica Básica no meu ateliê. Foi frequentado pelos moradores da cercania do Bairro da Campininha, na Estrada da Graciosa de Quatro Barras, Paraná e também de outras localidades próximas, todos da Região Metropolitana de Curitiba.
Seguiu o padrão de sempre, confecção de massa, técnicas básicas, modelado livre. Acontece que foi muito interessante pelo interesse que as pessoas demonstraram, que resultou num aproveitamento muito grande. O forno funcionou de maneira exemplar, com uma queima de biscoito de 8 horaa. As peças ficaram perfeitamente queimadas em todas as regiões do forno. Já construi 22 fornos iguais ao que aparece na fotografia, em várias localidades próximas à Curitiba. Este curso foi patrocinado pelo Senar-PR. Também o Senar tem implantado noutras regiões do Estado do Paraná este mesmo forno, por mim desenvolvido. É com grande prazer que venho aperfeiçoando detalhes de circulação deste forno, para que funcione redondinho. Uma vantagem que ele tem também é o consumo baixo de lenha. Fácil de construir, usando somente tijolos de 2, 4, até de seis furos, com massa magra de cerâmica (argila plástica 50% e o restante de argila magra, areia e chamote) de rejunte. Este curso teve a duração de 64 horas, em 8 dias. O almoço é comunitário, todos trazem alguma coisa e na hora da refeição apresentamos tudo o que apareceu. Esta forma de dar um curso, depois com o almoço, como também o lanche, participativo fica muito interessante. As comidas são variadas e acaba que cada um se esmera em trazer um quitude por todos apreciados. Iso também enriquece um curso, tornando-o quase uma Vivência. Acho tremendamente positivo esta forma dee aprendizado.
Gosto também, quando o público permite, fazer uma pequena dissetarção sobre a formação dos elementos químicos no Universo, para simplificar o conhecimento., Quando se aprofunda um pouco as informações sobre os materiais cerâmicos, caímos, obrigatoriamente, na composição química.Aí aparecem os silicatos, alumina, sódio, potássio, lítio, ferro, magnésio, cálcio, matéria orgânica, pigmentos como cobalto, cobre, cromo, etc. Bem, a maioria das pessoas tem verdadeiro pavor da química. E eu cheguei à conclusão de que a química é muito mal explicada na escola, o que resulta nesta dificuldade. Então falo sobre a formação dos elementos químicos no Universo, no Big Bang, depois a formação de elementos químicos com a fusão nuclear nas estrelas e , por último, explosões de supernovas. Claro que aproveito para citar a frase do Carl Sagan, tão do agrado popular : "somos pó de estrelas!". Porém é muito interessante começar sobre a história na Grécia, a pergunta inicial de Thales de Mileto, "de que são feitas as coisas". Inicialmente água, depois ar, terra e fogo. Depois disso, mais dois mil e quinhentos anos, as resposta foram surgindo. Como existe uma lógica mais simples para entender porque os elementos químico existem em número atômicos, esta indagação, desde os primórdios do pensamento humano leva a uma sequência mais facilmente inteligível. Da indagação grega, até a compreensão das reações que acontecem no nosso sol e todo o desenvolvimento da física, depois de Galileu, Newton, Einstein, mais ainda toda a revolução da física no final do século vinte, junto com a astronomia, foi um avanço formidável, um salto quântico.
Todo este papo geram inúmeros questionamentos e discussões sempre muito proveitosas para todos os participantes e prá mim também. Enriquece a todos e o momento e a dedicação no nosso trabalho manual tende a ser mais produtivo e nossas conclusões sobre a Vida, o Ser Humano sae aprofundam. Acho muito gratificante.
O resultado? É um curso mais interessante, um aprendizado mais amplo, uma energia que rola muito positiva, criativa, produtiva e qualitativa.
Toda a vida está interligada, não acho que um curso apenas de Geração de Renda deva ser simplesmente um monte de técnicas a serem aprendidas para transformar numa fonte de renda. A discussão sobre nossa postura sobre a vida faz parte, o trabalho, o conhecimento,o lazer, nossas emoções, está tudo junto, não pode ser dissociado. Queremos ser seres humanos melhores, ter uma vida mais plena. Sabemos muito bem da opressão do sistema sobre os menos favorecidos. A campanha brutal dos meios de comunicação nas nossa sorelhas buzinando intensamente e alugando a todos sobre este monte de balela que são impingidas de cima prá baixo e nós temos que aturar. Se o nosso aprendizado é consitente e resulta numa independência financeira, mesmo que com resultados limitados, mesmo assim estamos caminhando na direção da nossa dignidade, eu acho.

domingo, 18 de janeiro de 2009

ESTUDO DIRECIONADO DE VIDRADO DE ROCHAS

Percebi que muitas pessoas tem dificuldade em compreender os materiais básicos de cerâmica para vidrados: os feldspatos, quartzo, calcita, granito, cinzas, basalto, argilas em geral,caulim, etc. Por isso, pensei numa forma de fazer com que este conhecimento básico seja melhor assimilado e encontrei uma maneira fácil para que qualquer interessado possa fazer suas próprias experiência, aprendendo. Comecei com uma turma de 10 pessoas de Maringá e depois de 6 encontros, via e-mail, o projeto completou-se com resultados satisfatórios. Chamei a este trabalho de ESTUDO DIRECIONADO DE ROCHAS. Porque pretende pretende ser um estudo conjunto. Mando o roteiro e com as respostas vou adaptando a pesquisa em função do material existente na localidade e dos resultados.

Veja os ítens que formaram a Proposta e o Objetivo:
A) - OBJETIVO:
O objetivo do presente estudo é o de apresentar uma forma fácil para que cada participante deste estudo tenha condições de satisfazer sua necessidade de pesquisa de vidrado não tóxico, de alta temperatura, a baixo custo.
Pretende também dar independência no uso de materiais básicos cerâmicos componentes dos vidrados, conhecendo seu comportamento.
Sabendo o que são, como se comportam estas matérias-primas, incorporar um material no outro e obter os resultados que nos interessem para conseguir coberturas, texturas e cores, abrindo o caminho para a pesquisa individual.
É uma pesquisa rápida (apenas 6 encontros) que exigirá do participante o cumprimento da tarefa quinzenal.
B) – QUAIS OS TIPOS DE VIDRADOS QUE SE ESTUDARÁ:
A pesquisa abordará os seguintes vidrados:
1) – Cinza.
2) - Argila.
3) – Basalto.
4) – Granito (este é o mais difícil de conseguir puro).
No final do curso cada participante terá seu vidrado acima, básico, o qual poderá variar, independentemente, cor, textura, etc.
C) – PARTE TEÓRICA:
O início será acompanhado de parte teórica sobre os vidrados, seus componentes, suas características. Será repassada a bibliografia que gerou o presente Estudo Direcionado.
D) – PARTE PRÁTICA:
O participante recebe a tarefa e no encontro seguinte apresenta o resultado. Os resultados são analisados e aprimorados e daí gera o novo encontro.
E) – CRONOGRAMA:
1) – Encontros quinzenais.
2) – Término da pesquisa = 3 meses = 6 encontros.


ESTUDO DIRECIONADO PARA VIDRADO ARTESANAL PARA ALTA TEMPERATURA

A) – O QUE É:
O Estudo Direcionado pretende efetuar uma pesquisa de materiais para comporem vidrados. Estes vidrados serão de: basalto, argila e granito e cinza. A pesquisa segue uma direção que será dada pelo ministrante do curso. Todavia, a pesquisa é de todos, podendo seguir variantes que se apresentarem no decorrer do estudo. Pretende, portando, estudar os materiais componentes dos vidrados, sua composição, propriedades, para capacitar a todos os participantes a formularem seus vidrados independentemente, elaborados com matérias primas mais acessíveis financeiramente e não tóxicas.

B) – META:
Partir de dados de literatura (Leach, Finn Lyngaard, Hamada, Chiti, principalmente), com composições em volume e em peso, usando feldspatos, sílica, colemanita, bórax, espudomênio, etc., aos quais serão adicionados as argilas, basalto, granito e cinzas. e assim obter um vidrado diferenciado e que fornecerá subsídios para pesquisa individual independente de elaboração de vidrados artesanais. Ao final pretende-se que todos estejam aptos a seguirem seu próprio caminho.

C) - PRAZO E CUSTO:
Três meses, com encontros quinzenais. O preço a ser combinado com cada turma.

D) - MATERIAIS:
Cada pessoa terá que adquirir seu próprio material, cujo custo é barato. A argila é de graça (recomenda-se encontrar alguma argila de coloração que agrade ao participante, em qualquer barranco ou movimento de terra), o basalto (pode ser encontrado a baixo custo até onde vendem fertilizantes, conhecido como "pó de rocha") , os feldspatos e sílica, etc, terão que correr por conta dos participantes.
O ministrante apresentará material teórico impresso sobre os caminhos seguidos na pesquisa.

E) - METODOLOGIA:
Encontros quinzenais onde todos farão seus testes que serão trazidos queimados a 1250 graus centígrados ou a combinar (mínimo 1200 graus centígrados), no próximo encontro. No encontro subseqüente serão analisados os dados obtidos e direcionados para a melhoria ou finalização.
Cada aula contará com apóio de material teórico extraído da literatura acima citada que será fornecido pelo ministrante.


Espero ter sido claro.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

FORNO CATENÁRIO-VIDRADO DE SAL


Recebi a visita do Ceramista Português Joaquim José Parreira Pimentão. Falamos sobre nossos trabalhos, projetos, nossos modelos. Concordamos sobre muitos pontos e somos admiradores incondicionais de Bernard Leach, Hamada e outros. Como Joaquim está chegando ao Brasil para morar, pensamos numa atividade que poderíamos fazer conjuntamente e resolvemos começar por uma Vivência de construção de um Forno Catenário, para queima de vidrado de sal, no mês de março. Como segunda parte, uma oficina de vidrados chineses, temoku, sangue de boi e celadon, no mês de abril.
O Forno Catenário não é o forno de melhor aproveitamento, devido á curvatura da abóboda, onde perde-se muito espaço. Todavia a beleza da forma, da curva natural, já é uma obra de arte. Forno Catenário quer dizer forno de Corrente. Pega-se uma corrente, segura-se nas duas pontas, na distância desejada e deixa-se a corrente cair com seu próprio peso, até que dê o comprimento pretendido. A curva formada é a curva catenária. Marca-se o desenho desta curva numa prancha de madeira, inverte-se a posição da curva e teremos a forma do forno. Esta mesma prancha, recortada na curva marcada, pode ser de compensado que fazendo mais uma cópia e prendendo-as com ripas, no comprimento do forno, teremos a zimbra. A zimbra é a estrutura que servirá de apoio e guia para colocar os tijolos na construção do forno, imprescindível na parte superior (abóboda). Depois de colocada a última fileira de tijolos, retira-se a zimbra, desarmando-a do apoio. Poderá ser usada, a zimbra, para a construção de outros fornos .
Vamos construir um Forno Catenário no meu espaço de trabalho, na chácara onde moro. Esse forno será para queima à lenha, com dimensões internas de aproximadamente 80cmx80cmx80cm, construído com tijolos refratários de alta densidade. Estamos prevendo duas entradas, fornalhas. A temperatura de queima será de 1250 graus centígrados, com tiragem (saída do calor) invertida. O Joaquim tem experiência na construção deste tipo de forno. Tem também grande experiência em vidrados de sal. O vidrado de sal tem qualidades excelentes. Não é tóxico, portanto bom para objetos de uso culinário. Tem ainda o famoso "pele de laranja"este belíssimo vidrado de sal.
Esta Vivência estará aberta para quem quiser participar na construção, ou apenas apreciar a construção e aprender como se constrói. Durante esta Vivência meu ateliê estará aberto para todas as pessoas, para produzirem as peças que quiserem. Toda a infra-estrutura do ateliê estará disponível. Argila plástica, anti-plástica, caulim, chamote, talco, sílica, ainda maromba estrutura e mais equipamentos, formas, rolos, ferramentas, tudo à disposição. Estas mesmas peças poderão ser queimadas na inauguração do forno, que será após a secagem dele.
Pretendemos construir este forno no mês de março/09 e estou aceitando inscrição para a participação do evento. Será cobrada uma taxa, que incluirá as refeições. O evento pode ser fotografado, filmado, à vontade. As pessoas também poderão usufruir do espaço da chácara, com área verde, cachoeira. Pretendemos transformar estes dias num encontro de debates, palpites, experiências, para enriquecer o conhecimento e o convívio cerâmico.
Àqueles que se interessarem na participação será fornecido um mapa "como chegar",valores e maiores detalhes.
A foto é da cachoeira da chácara.