segunda-feira, 2 de junho de 2008

CERÂMICA ARTESANAL-LAPA - QUEIMA







Retornei a Lapa-PR, nos Alves, nos dias 26 a 29 de maio-2008, para completar o curso de Cerâmica Básica, promovido pelo Senar-PR, do qual sou instrutor. Nesta segunda etapa, que são mais 4 dias, as pessoas já estão familiarizadas com a cerâmica e o progresso individual, e em grupo, é evidente pela qualidade das peças. Por exemplo, cada participante que modelava uma panela, denominava aquela panela pela letra do seu nome e o número que indicava quantas panelas já havia modelado. Na terceira, p-3, a qualidade já era outra. É muito gratificante verificar que as pessoas realmente interessadas progridem rapidamente. Começaram a surgir figuras de santos, o que é muito procurado uma vez que na Lapa o turismo existe tanto pela cidade que é uma das mais antigas do Paraná, como pela perigrinação à caverna do Monge Zé Maria. E os peregrinos e turistas interessam-se por esculturas de santos e panelas, principalmente. Quanto às panelas, cabe ressaltar que estando em baixa o uso de panelas de alumínio (estudos mostram os danos à saúde causado pelas panelas e formas de alumínio, principalmente as bem areadas), e devido ao alto custo das de inox, a alternativa de uso de panelas de barro está em alta.




Nesta segunda etapa o principal enfoque foi a queima das peças no forno construído na primeira etapa. Fizemos uma queima de 8horas e meia. A qualidade das peças retiradas estava perfeita. A queima foi muito boa. A lenha estava bem seca e era constituída principalmente pela chamada vassourinha, que queima com muito fogo e pouca brasa. Ou seja, as melhores lenhas são as mais leves, menos densas. A melhor de todas é o eucalipto, cortado no tamanho da fornalha, mais ou menos 1,60m, em galhos finos ou da grossura de 5 cm de diâmetro, aproximadamente. O eucalipto dá um fogo parelho, intenso, até consumir-se totalmente.




Queimamos também as placas testes dos diversos tipos de argilas que coletamos nas cercanias, da massa de tijolo que obtivemos na olaria local, da massa que compusemos para confeccionar o nosso artesanato. Foi muito interessante! Todos comprovaram a eficácia do nosso método de confecção de massa para cerâmica. De cada amostra fizemos duas placas. Uma delas deixamos no arquivo para comparações futuras e a outra cada participante experimentou quebrar pedaços para comprovar a resistência à flexão. Como massa cerâmica que compusemos sobrepujou em resistência a massa da olaria concluímos qual seria a solução para que os tijolos tivessem uma melhor qualidade. Quando o interessado compreende a necessidade de ter-se uma massa com argila plástica (maios ou menos 70%) e o restante com argila anti-plástica, adicionando, ainda, chamote de tijolo e areia fina para completar a formulação, os resultados afloram.




As pessoas, depois da queima e visualização do resultado, começaram realmente a acreditar nas possibilidades da cerâmica. A transformação de um barro escuro num produto queimado, resistente, vermelho (a maoria deles) tem este lado de agradar e encantar as pessoas, levando-as para a continuação do trabalho. Com isso, o objetivo do curso completa-se, sendo vantajoso para todos. Vejam que nenhum dos participantes tivera contacto anterior com a modelagem cerâmica.




Nos Alves, a Associação dos produtores em cuja sede ministrei o curso está muito forte, organizada. As pessoas estão interessadas em trabalhar, conseguir transformar seu trabalho em dinheiro de forma digna e independente. A sede é própria, possuem carro (kombi), a cozinha está praticamente montada e agora estão aproveitando todos os cursos que interessam ministrados pelo Senar e Emater.




Sempre que ministro um curso no interior, olho ao redor para ver como as pessoas vivem, o que existe alí em termos de natureza, história, meio ambiente, etc. Nesta região da Lapa, nos Alves foi interessante saber que foi um território de caça muito procurado pelos nossos índios, infelizmente dizimados pela nossa civilização. Restaram pontas de flexas, afiadores de pedra, pedras de machados, almofarizes e pilões de pedra, que é comum as pessoas terem em suas casas, achadas nas roças ou quintais. Pude ver e admirar uma amostra de todos estes que citei.



3 comentários:

cleide disse...

Olá, Parabéns!!!!
Muito bom relembra nosso curso de Cerâmica...
Fiz com Vc, lembra, grupo de instrutores em Artesanato..
Sou Cleide de Cidade Gaúcha...
Tenhas Sucesso e Paz!!!!
Obrigada por tudo..
Valeu!!!!

Juliano N. disse...

Ola pode me enviar no email o projeto do forno, estou pensando em montar um! julianonn@hotmail.com

Juliano N. disse...

Ola pode me enviar no email o projeto do forno, estou pensando em montar um! julianonn@hotmail.com