



Neste mes e no mes passado, ministrei duas oficinas de Cerâmica Básica, de 64 horas cada, patrocinadas pelo Senar-PR, nas cidades de Campo Magro (Região Metropolitana de Curitiba) e em Quatro Barras, no meu próprio Ateliê, no Bairro Campininha. Evidentemente que as oficinas no meu ateliê são mais fáceis de ministrar. Tenho maromba extrusora, argila plástica em toneladas, toda a infra-estrutura para produzir uma massa artesanal de boa qualidade, plástica, com adição ou não de chamote. Pesquiso as argilas de barranco das cercanias do local onde se encontra meu ateliê. Conheço inúmeras que tem coloração diferente, as quais, inclusive utilizo para pintura de paredes de alvenaria. A adição de uma argila anti-plástica extraída no próprio local de trabalho, ou próximo dele, tem uma força especial. Primeiro porque fica claro para aqueles que estão fazendo um curso, como utilizar-se de matérias-primas que estão disponíveis ao nosso redor e isso torna o aprendizado mais interessante. Argilas plásticas de grande qualidade para uso em cerâmica artesanal e artística são descartadas normalmente na região mnetropolitana de Curitiba. Estamos no primeiro planalto paranaense, ao lado da Serra do Mar, que é constituída de granito e este por quartzo, mica e feldspato, sendo o último a origem das argilas e caulins, portanto, nossa região Metropolitana tem material cerâmico em abundância. Basta estar alerta. Por exemplo, neste ano, na Avenida Maringá, em Pinhais, a Prefeitura Local estava implantando um sistema novo de galeria de águas pluviais e necessitou cavar a uma profundidade de 3 metros para colocar mais de um km de tubulações de mais de 1 metro de diâmetro. Conclusão: a argila plástica que a retroescavadeira retirava era imediatamente levada por caminhões caçamba e descartada. Nas escavações das contruções de prédios e edifícios em Curitiba também podem ser encontrados ótimas argilas plásticas para compor uma massa utilizável com resultados excelentes. Estou falando de cerâmica artesanal e artística que não representa qualquer dano para o meio ambiente. Existe hoje em dia um consenso sobre as argilas = são matérias-primas não renováveis. Assim, se, mesmo em pequena escala, estivermos usando um material que será descartado e mais, inutilizado, é muito interessante e de uma certa maneira é uma atitude ambientalista. Uma noção mínima para compor uma massa é necessária. Mas a literatura está disponível em todos os lugares e uma massa artesanal, para começar, pode ser composta com 70% de material plástico e 30% de material anti-plástico. Se passar no teste do rolinho, ou anel, já pode ser usado. Teste do Rolinho, ou do anel: misture bem a massa, faça um rolinho de aproximadamente 10 cm de comprimento e 1cm de diâmetro e entorte-o ao redor de um dedo. Se não rachar é plástico, pode ser usado para modelagem. Se rachar necessita de mais material plástico. Já falei sobre isso noutra postagem.É claro que deverá ser testado no momento de confeccionar alguma peça e depois queimar e ver sua qualidade, se serve para aquilo que se deseja. Pode ser adicionado tijolo moído e peneirado como chamote. O material anti-plástico é muito fácil de ser encontrado. É a argila mais abundante em quase todos os terrenos, barrancos, etc. Em todo lugar existe algum movimento de terra, o nosso planeta está sendo rasgado de cima a baixo e sem sua pele natural (vegetais), o material argiloso está exposto em todo parte.
As panelas estão cada vez mais sendo procuradas como produto artesanal. A confecção exige concentração e repetição de algumas panelas para fazer uma de qualidade aceitável, isso para quem nunca trabalhou anteriormente com modelado cerâmico e tem pouca habilidade com artesanato. O método mais simples é o da bola. Amassa-se corretamente o barro (técnica da cara do boi, por exemplo) e faz-se uma bola de argila, com a quantidade de barro para o tamanho da panela. Abre-se um buraco no centro e daí vai abrindo e dando o formato à panela. O dedo indicador curvado e apoiado pelo polegar é a ferramenta que abre a panela. Veja a fotografia da reportagem. A outra forma, sem o torno, é o rolinho ou cordelado. Vai sobrepondo rolinhos já com a espessura da parede da panela até a altura desejada. As tampas podem ser confeccionadas esticando uma placa e deixando secar sobre uma superfície, de preferência gêsso, em, formato de calota. Para impermeabilizar as panelas alguns métodos são adotados. No Estado do Espírito Santo é muito usado a casca da planta do mangue "Risophora mangle". Faz-se uma infusão forte e depois de tiradas as panelas da queima, esta infusão é batida nas panelas ainda quentes com ramo de plantas. No nordeste é muito usado untar as panelas na parte interior com óleo de cozinha e colocar ao sol. Esta operação é repetida umas quatro vezes. Vi no litoral do Paraná a impermeabilização sendo feita fritando com bastante óleo cascas de banana verde. Meia dúzia de cascas de bananas são suficientes. O método mais prático que achei foi fazer um refogado de cebola e alho com bastante óleo e fritar espalhando o óleo por toda a panela. Jogar fora este preparado. Após isso a panela já está pronta para uso.
As panelas dos oleiros de São José, Santa Catarina são impermeabilizadas com vidrado de sal. Esta parece-me a forma mais perfeita de impermeabilização. Mas não está ao alcance de todo ceramista artesanal paneleiro.Nas fotos panela dos Oleiros de São José-SC (amarela), panela Capixaba do Mestre Pixilô (preta) e panela confeccionada por mim, com impermeabilização com líquido da infusão de cascas com taninos de plantas locais: acácia negra e aroeira.