quinta-feira, 12 de novembro de 2009

CERÂMICA BÁSICA - MEU ATELIÊ




De 03 a 06 deste mes comecei um curso de cerâmica Básica no meu ateliê, patrocinado pelo Senar. Pôxa, no meu ateliê é outra história. Tenho todos os materias necessários para ensinar e produzir massas, bem como queimar à gás, lenha ou elétrico. Não é necessário improvisar. Comecei produzinho uma massa para queima em baixa temperatura, para raku e, ao mesmo tempo, serve, também, para confeccionar panelas e formas que vão ao fogo. Coloquei 50% de argila plástica que chamo de padrão pois tenho umas 10 toneladas no meu quintal e que vieram das margens do rio Miringuava, afluente do rio Iguaçu. 20% de uma argila branca, plástica que comprei na Mineração Bassani em S.Luis do Purunã-PR. Para resistir ao choque térmico, adicionei 10% de talco, 10% de chamote de tijolo e 10% de sericita, um quartzo malha 200 que compro numa mineração aqui próxima. São materiais que possuo em abundância e que tem preços baixos. O resultado foi uma massa de 10% de retração de coloração rosada, clara.
A segunda parte do curso aconteceu nos dias 16, 17, 18 e 19. Então, para ampliar a qualidade do curso, produzimos uma massa para 1200 graus centígrados. A composição dessa massa foi assim: 40% da argila padrão acima mencionada, 15% de argila branca da Bassani, mais 15% de argila chocolate da Bassani, 10% de caulim Palmonari, 10% de talco e 10% de quartzo. Esta massa, sem chamote, ficou muito lisa, fina, gostosa de trabalhar, inclusive ao torno. Alguns alunos aproveitaram para treinar a tornear com esta máquina cerâmica de grande utilidade e, também, quase indispensável num ateliê cerâmico. Mesmo a massa com chamote, para raku estava boa de se usar no torno. Isso graças à massa vermelha do rio Miringuava que tem grande firmeza e auto-sustentação em estado cru, quando torneada ou modelada.
Como tenho maromba extrusora e também um torno cerâmico, as coisas fluem facilmente e o resultadio acaba sendo mais qualitativo.
Nesta semana, como as peças secaram, depois de acabadas, foram queimadas em forno elétrico. Aproveitamos para uma queima de Raku, pois as peças da primeira parte do curso, queimadas sem nenhuma perda, em forno elétrico, estavam prontas.
Os vidrados de raku sempre produzo na hora. Colemanita com argila branca ou caulim, com ou sem óxidos colorantes. Uso, também, carbonato de sódio, apesar de ser solúvel, o que dificulta a técnica de pintura, porém funciona como informação básica sobre solubilidade dos vidrados.Ao carbonato de sódio, de alta solubilidade, adiciono argila para formar uma suspensão e, para aumentar o ponto de fusão, sílica, e mais os corantes. Os azuis de carbonato de cobre são os do antigo Egito e tem aquela atração milenar dessa coloração belíssima. No mais, uso uma base alcalina, quase sempre o CMF 096 e adiciono um opacificante, argila e corante cerâmico. Assim, com os óxidos de cromo, cobre, cobalto, ferro e manganês, vou obtendo as colorações básicas dos vidrados. Evito bases plúmbicas porque, em redução, tendem a ficar cinza.
Foi um curso tranquilo. As pessoas trazem um lanche, ou alguma comida preparada. Somando tudo, fica mais harmônico e gostoso. Um bom lanche, ou almoço, garante uma continuação de trabalhos com renovação de ânimos....

domingo, 1 de novembro de 2009

CURSO DE CERÂMICA BÁSICA EM CAMPO MAGRO-PR


A cidade de Campo magro fica na Região Metropolitana de Curitiba. No ano passado dei um curso e construí um forno para queima de biscoito. É o mesmo forno que construo em meus cursos. Este forno apresenta várias qualidades. A primeira é que se presta muito bem para o uso de queima de biscoito cerâmico. Ele também é muito barato, pois pode ser feito com tijolos comuns, dois, quatro, seis furos, tijolos usados, refratários, isolantes, etc. A facilidade de construção é notória. Basta dizer que, num dia de trabalho, com 4 pessoas dá para concluir a obra. Depois de construído, sempre espero uns 10 dias para fazer a primeira queima. Nos meus cursos não dá tempo para fazer a cura do forno. A cura vem a ser a primeira queima para queimar o próprio forno, primeiramente. Senão, a queima já com peças, fica muito mais longa e prejudicada, pois o forno ainda não está completamente seco e queimado. Como o rejunte dos tijolos é feito com massa das argilas que encontro no próprio local onde construo o forno, ele precisa ser queimado para, então, fazer parte do próprio forno.
Quando faço uma queima de biscoito normalmente demoro umas 8 a 9 horas. Dificilmente dá para diminuir esse prazo, a menos que eu carregue na massa areia e chamote. Por isso são notáveis as queimas diretas a céu aberto, de uma hora ou um pouco mais. A qualidade das peças fica um pouco prejudicada nestas queimas rápidas. O resultado da queima de biscoito nestas queimas de forno como aparece na fotografia é de grande qualidade. Claro que a massa tem que ter um componente plástico testado. Ele é que vai dar a resistência à cerâmica. Por isso é que se encontra cerâmica vermelha, ou seja, tijolo de péssima qualidade, porque a mistura da massa não contempla um percentual de argila bem plástica, ou porque carregam no anti-plástico para diminuir o custo, já que o plástico é mais difícil de ser encontrado.
Fiz duas queimas de cerâmica nestes 8 dias de curso em Campo Magro. O forno já estava bem curado. O resultado foi excelente. A trabalho cerâmico estava parada neste local onde retornei, para reativar a vontade de continuar a produzir cerâmica. Estas queimas foram muito bem feitas. O forno está funcionando perfeitamente. Fiquei impressionado com a simplicidade da queima. O consumo de lenha foi muito baixo. Como usam-se galhos finos para as 3 horas finais de queima, e, na região tem muita vassoura (também chamada caparaoca) e eucalipto ( que é a melhor), foi moleza.
O local é o Recanto Nativo, onde a Sandra e o Ozir comandam uma propriedade Agroecológica. Eles são uma espécie de alavanca para impulsionar uma série de atividades que envolvem a agricultura orgânica e o desenvolvimento artesanal da região.
É difícil, às vezes, conseguir-se com que as pessoas se envolvam num trabalho novo, como é a cerâmica. Mas com vontade, insistência conseguimos motivar as pessoas para a fabricação inicial de vasos simples para cultivo de suculentas e cactáceas, como uma forma de agregar valor ao trabalho. Nesta propriedade que tem restaurante e inclusive pousada, vêm muitos turistas e podem ser vendidos estes vasos. Sei muito bem que quando se começa um trabalho artesanal de confecção de vasos simples, com desenvolvimento artístico incipiente, não se pode concorrer com uma olaria que fabrica vasos torneados com torneiros no metiê há quinze anos ou mais, produzindo um enormidade por dia. O preço destes vasos é ridículo de baixo. Então, os vasos confeccionados manualmente tem que ser diferenciados e agregar valores, como é o caso das plantas
"O carpinar é sozinho, a colheita é comum", já dizia o Riobaldo Tatarana.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

VISITA DOS CERAMISTAS DE TIBAGI-PR





Nesta quinta-feira, dia 22 de outubro, recebi a visita da turma de alunos de Cerâmica Básica de Tibagi-PR. Neste começo do ano dei dois cursos nesta cidade, os quais aparecem em reportagens anteriores.
Foi muito interessante esta visita, muito real e emocionante. Emocionante, primeiro, porque trouxeram os vídeos das queimas que fizeram, sozinhos, independentes. Foi muito bom. Para isso é que se presta um curso. O resultado foi excelente, a queima perfeita, todas as peças muito bem queimadas.
A turma uniu-se e conseguiu superar a inércia que impede o desenvolvimento e mandar bala num resultado prá lá de compensador. Vejo que exemplos desta natureza compensam o investimento e não só isso, mostram que, realmente, existe a possibilidade de se desenvolver um trabalho de geração de renda que resulte em independência para as pessoas. A cerâmica é uma atividade muito atrativa e as peças cerâmicas são estimadas por turistas e mesmo pelos os próprios habitantes da cidade. Assim, Tibagi, aqui no Estado do Paraná, com seu enorme potencial turístico que só é comparado a Fóz do Iguaçu, devido às cataratas, por Vila Velha, pela sua formação geológica de rara beleza e pela Serra do Mar em Curitiba,que tem o trajeto de trem atravessando o pouco que resta da Mata Atlântica, pode desenvolver seu comércio de forma concreta e conseguir um retorno imediato, é somente trabalhar.
A visita desta turma no meu ateliê preencheu um dia de muita atividade verbal, gastronônmica, e, também, para entrosar nos outros assuntos que sustentam a vida de cada um. Quero dizer com isso que não é somente o trabalho que aparece nestas situações, mas a vida que a pessoas levam, como elas sobrevivem, quais são os motivos que as direcionam para adiante. Nosso mundo está totalmente virado pelo avesso nas aspirações, pois as propagandas enganosas que se vê por toda parte em out-doors, comerciais televisivos, leros leros furados sobre o que é real nesta vida, tendem a distorcer o objetivo individual e coletivo.
O que pretendo sempre passar nos meus cursos é a possibilidade da pessoa, com seu trabalho cerâmico, tornar-se independente, livre de todas estas pressões de trabalho com horário marcado, não ficar sem trabalhar, mas ser independente, fazer seu horário, poder matar um dia ou outro de trabalho para fazer o que quiser, transferir seu horário de trabalho a seu bel prazer. Isso é muito bom, torna a pessoa melhor, dá essa sensação de liberdade que a gente precisa para encarar o sistema.
Desde que, pela primeira vez, estive na cidade de Tibagi, quando participei de uma Caravana Ambiental pela Secretaria do Meio Ambiente do Paraná, e que fazia pouco tempo que ela, a cidade, tinha recebido o título de A Melhor Cidadezinha do Brasil, eu notei o enorme potencial em termos de desenvolvimento de cursos de geração de renda. É claro que Tibagi já é famosa pelo seu Carnaval, que traz um desenvolvimento artístico muito interessante. Portanto, tem espaço em vários setores: artístico, artesanal, comercial, etc.
Com esta visão de futuro é que estou planejando apresentar para a cidade um projeto mais amplo de cerâmica, que vá além da Cerâmica Básica, de queima apenas do biscoito. Mas começar com um plano completo, treinamento, queima de baixa temperatura, com vidrado, alta temperatura, raku e os vidrados mais simples de cinzas, rochas e ainda com as argilas locais, misturando o que a cidade tem na natureza e sempre com cuidado com o meio ambiente. Ter em mente o objetivo principal que é viver melhor, participar dessa roda da vida do Universo com dignidade, porém com uma noção bem clara de limites para não ultrapassar as marcas do excesso individual em detrimento das gerações futuras.
Senti-me fortemente agradecido a esta turma de Tibagi e também feliz por ver um trabalho gerando frutos positivos.

domingo, 20 de setembro de 2009

PIRAQUARA - RETORNO-Cerâmica Básica




Ao voltar para a segunda etapa de quatro dias do curso de cerâmica Básica que ministro, sempre fico surpreendido como as pessoas evoluem. Quase todas começaram sem terem experiência anterior. Primeiro conhecer uma massa cerâmica e ser iniciado nas técnicas básicas. Então criar a intimidade com o modelado. Aperfeiçoar. Mesmo aqueles que relutam a princípio, acreditando que não tem habilidades, aos poucos vão aprendendendo. Quando alguém começa a sentir-se desassossegado por não conseguir modelar uma forma mais definida, deixo que tente mais um pouco, para sofrear o nervosismo e a angústia de não poder expressar-me como gostaria rapidamente. Normalmente as pessoas que tem pressão alta querem executar uma tarefa em pouco tempo, finalizar em três toques e já partir para uma nova peça. É um desafio. Neste caso, quando vejo que o resultado está indo para um caminho de insatisfação com o curso pela ansiedade de não conseguir resultado satisfatório e que levará possivelmente à desistência, mudo a forma de aprendizado. Recomeço por um modelado com técnica. Assim, para mostrar como modelar um objeto utilitário rápido, com bom resultado, independente de habilidades mais sofisticadas, sugiro recomeçar por algo mais simples, como um porta-sabonete, por exemplo. Ensino a técnica de esticar uma placa com cano de PVC 5cm de diâmetro, com suportes laterais para definir a altura da placa. Depois cato pelas cercanias uma folha que tenha um formato que sirva para uma saboneteira. Então pressiono a folha sobre a placa,com o rolo, ainda usando os suportes lateiras, praticamente enterrando a folha na placa cerâmica. Cuido sempre para que seja uma folha com boas nervuras, mas que a central não seja saliente demais, o que enfraqueceria a saboneteira, pois ultrapassaria a espessura ideal, deixando uma linha mais frágil que facilita uma rachadura. Depois de prensada, faço o recorte e retiro a folha. Então, para dar a forma na folha, coloco-a sobre uma madeira. Começo a elevar as laterais dando o formato à saboneteira e apoio sobre pedaços de jornal amassado para que sequem com o formato desejado. Cuido sempre para que esse formato seja o mais natural possível, dando curvas e graciosidade à saboneteira. Depois de secar o suficiente para que possa auto-sustentar-se, faço os furos para escorrer a água quando estiver funcionando e coloco os pés, quase sempre em número de 4, que fica mais estável. Assim já entra mais duas técnicas, primeiro como esticar uma placa e depois como colar uma peça cerâmica na outra. Sempre que é viável, misturo um pouco de silicato de sódio na cola. Porque o silicato de sódio sendo um desfloculante permite que a cola seja mais consistente. Isto quer dizer que, com menos água, eu faço uma cola que resulta mais eficiente. Depois de seco o acabamento é com lixa e finalmente uma esponja úmida completa a operação. O resultado sempre é bom. A naturalidade de uma folha que se observa na Natureza é o modelo. Assim o olhar começa a se desenvolver, para conseguir sair do modelado manual e entrar no modelado visual. Primeiro as mãos modelam, depois os olhos... Talvez essa seja a parte mais difícil para as pessoas comuns que tentam iniciar uma atividade artística. As mudanças de olhar necessárias vão mexer com o indivídio, seus paradigmas, o valetão do seu cotidiano. Isso incomoda a princípio porque é difícil, mas, depois, vem a satisfação, o prazer de estar aprendendo algo novo.
Neste forno que construí deixei que ele ficasse, por insistência do responsável pelo lugar, diretamente encima do cimento do piso. Normalmente quando acontece o caso de ter de construir um forno em situação semelhante, eu faço uma carreira de tijolos, encho de terra e soco bem. Depois começo a construir o forno. Assim, quando boto fogo no forno fica sobre terra, que é o ideal. Mas desta vez, sobre cimento, como ainda não fiz a queima, por falta de lenha, vamos ver no que vai dar. Possivelmente o cimento vai rachar, mas não passará disso.
Piraquara está encostada na Serra do Mar, uma situação privilegiada em termos de Natureza. Todavia, em menos de 15 anos a população dobrou de 100 para 200 mil habitantes. Isso transtorna qualquer lugar. É impossível comandar e organizar o crescimento com essa avalanche de seres humanos. Por isso Piraquara precisa de uma atenção especial para não detonar a belíssima Serra do Mar, tornando-se mais uma cidade inflacionada como dormitório de uma metrópole, no caso Curitiba. É um pouco triste ver as cidades em pouco tempo crescerem assustadoramente, descontroladamente, e saber que quem paga a conta é qualidade de vida de seus habitantes, ou seja, dos mais pobres, que vai piorando cada vez mais.

domingo, 6 de setembro de 2009

Cerâmica Básica - Piraquara-PR


Nesta semana iniciei um mcurso de Cerâmica Básica em Piraquara, patrocinado pelo Senar. Novamente, procurando argilas locais para composição de uma massa básica. Primeiro busquei uma argila plástica, depois mesclei com outra anti-plástica e mais um pouco (10 a 20%) de chamote de tijolo. Este chamote de tijolo é simplesmente tijolo moído à marteladas ou pedradas e posteriormente peneirado em malha mais ou menos 20. Esta adição de chamote é essencial para massas desconhecidas. Se bem que junto com a preparação das massas, faço uma placa teste e depois vejo o resultado. Esta placa teste é para ver a retração de secado e queima, bem como entornamento e resistência à quebra (flexão). O chamote ajuda na secagem, no entortamente, e o resultado ainda pode ser melhor até em resistência. O chamote e um pouco de areia fina, de rio, 5 a 10%, melhoram as massas que uso para confeccionar panelas. Peneiro e malha 20 - 25 estes materiais anti-plásticos. Até porque peneiras com estas malhas podem ser encontradas em casas de materiais de construção. As panelas para poderem resistir ao choque térmico precisam do chamote e da areia. É claro que a adição de 15 a 20% de talco (Silicato de Magnésio) é o que dá o melhor resultado. O talco é o produto por excelência para resistência ao choque térmico.
Ensino também as técnicas básicas para produção cerâmica: placas, rolinhos, modelado livre, como colar a cerâmica,etc. Todavia, quase nunco sigo uma norma rígida para as aulas. Vou vendo o estágio e grau de interesse de cada um e dando uma assistência direta, individual e quando surge algo que aos demais tem valor, repasso para todos no mesmo momento. Depois de alguns anos dando aulas descobre-se um método especial particular e que satisfaz ao educador, acredito. Penso que cada pessoa tem sua forma de melhor se expressar e isso dá resultados mais concretos quando se encontra este caminho.
O forno artesanal que inventei baseado em modelos que pesquisei tanto em literatura quando na prática nas cercanias de Curitiba, principalmente, tem funcionado perfeitamente. Algumas melhorias fui implementando ao longo das construçõs e hoje, quando já construí mais de 20, posso responder com certeza de que ele tem um bom funcionamento e é baratíssimo. Podem ser de tijolos comuns de 2, 4, 6 furos, maciços, refratários, isolantes. Com todos eles já construí. Todos funcionam. Vou adaptando para o tipo de tijolo que se encontra na região ou na cidade em que vou construir o forno.Sigo um modelo de volume interno de mais ou menos um cubo, com tiragem direta. O arco romano para a abóboda é muito simples e a zimbra (armação para construir o arco) é muito fácil de ser feita. Como melhorias, que fui aprendendo ao longo do tempo, a primeira delas foi uma abertura na parte posterior do forno, junto ao chão, que funciona como uma entrada de ar, no pique final de queima das peças, pois alí este ar complementar é fundamental para uma boa combustão. Outra que achei excelente foi transformar os burados dos tijolos do arco da fornalha como entrada de ar. Eu não coloco massa tapando os buracos, mas deixo-os livres e quando a cinza vai acumulando devido ao tempo de queima ( 9 horas normalmente), esta entrada é valiosa. Além disso, costumo colocar, como última camada de revestimento, a mesma massa que uso para rejunte que é de 50% de argila plástica e 50% de anti-plástica, complementada com uns 30% de areia de rio, peneirada em malha 20. Depois, finalizo colocando capim junto com esta última camada. O capim serve para estruturar e impede as rachaduras. Todavia, se elas aparecerem, pode-se fazer o conserto completando com masssa essas rachaduras que porventura aparecerem.
No mais, é uma mão-de-obra, em apenas 4 dias buscar argila, compor uma massa, ensinar as técnicas básicas e ainda construir um forno. O tempo é escasso. O que vale é o interesse das pessoas e se o aprendizado está valendo para alguma coisa e não apenas umas pelotas de barro apertadas e alisadas para matar o tempo. O que compensa, realmente, é o aproveitamento do curso, não o que se ganha financeiramente. Daqui a uma semana voltarei para completar o curso com a queima e aperfeiçoamento das técnicas.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

VIVÊNCIA PORANGABA - RAKU






VIVÊNCIA PORANGABA
RAKU E COPPER MATE


ESTOU CONVIDANDO VOCÊ PARA UMA VIVÊNCIA/OFICINA DE RAKU, NO MEU ATELIÊ DE CERÂMICA, NO SÁBADO, DIA 19 de setembro DE 2009.

O QUE É A VIVÊNCIA PORANGABA?
É um acontecimento cerâmico, prático, que acontece no Sítio Porangaba, em Quatro Barras, num ateliê cercado pela Natureza. Serão 3 queimas de peças cerâmicas usando a técnica de Raku. O Raku tem sido traduzido como Simplicidade, Facilidade, até Felicidade. Não exige conhecimento cerâmico anterior. A Vivência começa às 9 horas da manhã. O almoço será servido ao meio dia, com enfoque Naturalista e opção para vegetarianos. Às 17 horas será serviço um lanche de encerramento.

COMO ACONTECE?
Cada participante recebe 3 peças (pode levar alguma peça própria, desde que não seja muito grande), previamente biscoitadas, as quais eu mesmo torneei e biscoitei. Apresento uma série de vidrados, alguns prontos e outros que serão preparados na hora. Cada um decora com vidrado suas peças, uma por vez, que em seguida é queimada. Com os resultados obtidos, vamos para a segunda queima e depois para a terceira. A cada queima o participante aprimora seus resultados.
CUSTO POR PESSOA
O valor individual é de R$ 120,00, a ser pago no dia da oficina.

CONFIRMAÇÃO:
A presença deverá ser confirmada até dia 16 de setembro, uma semana antes do evento. O número máximo de participantes é de 13 pessoas.
Quem quiser participar deverá inscrever-se pelo telefone 41.91452884 ou pelo e-mail= gpnarciso@hotmail.com . Nesta ocasião será fornecido um mapa de acesso.
ENDEREÇO:
Estrada da Graciosa, 6609 – Bairro Campininha – Quatro Barras – PR
GILBERTO NARCISO – Ceramista e Eng. Químico

terça-feira, 28 de julho de 2009

CERÂMICA GUARAQUEÇABA-2a.parte







Retornei a Guaraqueçaba para completar o curso de Cerâmica Básica. São oito dias em duas etapas. Nesta segunda etapa construí o forno artisanal para queima de biscoito, com temperatura maxima entre 800 a 900 graus centígrados. Para efetivar essa construção conto com a ajuda de todos, do contrario não teria sentido até porque é uma atividade super importante a construção e conhecer como se constroi um forno. Principalmente este forno que é feito de tijolos e argila preparada com um antiplástico, sendo que na cobertura final, para suportar melhor as intempéries cubro com uma massa autofraguante. O tempo estava chuvoso nesta segunda etapa. O ultimo dia foi de chuva forte e, com vento sul, frio. Mas eu gosto de frio e de chuva também, não tem mau tempo.
Sempre na segunda etapa do curso eu percebo melhor o que está acontecendo com as pessoas que participam, sua forma de trabalhar, seu grau de conhecimento e qualidade técnica.
Em Guaraqueçaba, como em todas as comunidades que conheci, com excessão da comunidade Quilombola João Surá em Adrianópolis, há um desafio permanente de convívio entre as pessoas em direção a um objetivo comum. É dificil conseguir uma união total entre as pessoas. Mas acho que, no balanço geral a Cooperativa de Guaraqueçaba está caminhando para uma melhoria. Aos poucos alguns trabalhos tem melhorado. A cerâmica está precisando de um acompanhamento técnico em várias setores da cerâmica artesanal. Primeiro porque, sendo uma comunidade isolada, não tem como as pessoas fazerem cursos de aperfeiçoamento facilmente. Precisam vir a Curitiba ou ir a Sampa o que é mais difícil ainda. Para fazer um diagnóstico , quando se tem mais acesso ao conhecimento, torna-se mais fácil. São duas partes: a técnica e a artística. Na parte técnica, por exemplo, formas de gesso para fundição em cerâmica simplificaria muito, trabalho. A serigrafia com trabalhos fotográficos ou mesmo mesmo decolcomanias, vidrados mais baratos, como, por exemplo, de argilas, cinzas, feldspatos, etc. O acabamento é o nó górdio da maioria da cerâmica popular, principalmente quando existe um trabalho a ser desenvolvido e isso, às vezes, demora uma geração. Não dá para enganar o rústico com o mal feito, por isso, o capricho, o acabamento é essencial. Nisso eu vejo que as pessoas estão melhorando. Porém, um investimento com mão de obra qualificada para ajudar a superar etapas simplificaria o resultado.
Na parte artística, precisaria ser feito um amplo estudo das características locais, para desenvolver um artesanato com as impressões da cultura que aí se desenvolveu e a presente. Depois criar esse artesanato, incorporá-lo ao fazer artístico.
Mas a Cooperativa está encontrando seu caminho, indo atrás de verbas que possam ser direcionadas para esses quesitos.
Sempre levo comigo muitos livros, alguns dvds sobre cerâmica que ajudam a compreender o que está ac ontecendo em outros lugares, para que se coloquem todos em pé de igualdade.
Tem talentos, como de resto em toda parte, que podem e estão sendo aproveitados e é um prazer dar aulas onde as pessoas fiquem interessadas e executem trabalhos com vontade e o resultado aparece.
Aparecem na foto umas peças de cerâmica pequenas. São chumbeiros. Chumbeiros são pesos para serem colocados em redes de pesca. Antes da disseminação das chumbadas de chumbo mesmo, tão fáceis de serem adquiridas, os chumbeiros eram confeccionados de cerâmica. Estes das fotos foram modelados por pescadores e cada um tem sua função e sua forma de adaptar na rede para uso. Foi interessante a observação de um filho de pescador, que tinha visto seu pai confeccionar estes chumbeiros e queimá-los em forno artesanal, próprio para a queima cerâmica. Ele, sabendo que na cooperativa estam tendo problemas de entornamento e rachaduras nas peças, perguntou se usavam areia na massa. A areia, como um dos principais anti-plásticos cerâmicos, que ajuda a não rachar, entornar e melhora a secagem, era o material adicionado à argila para compor a massa dos chumbeiros
Na outra foto vemos a Iolanda, artesã de Guaraqueçaba, modelando suas figuras expressivas e já premiadas.
Tenho particular carinho pela Cooperativa de Guaraqueçaba, pelas pessoas, e me esforço para repassar tudo o que conheço de forma honesta e sincera.