terça-feira, 4 de dezembro de 2012

SALÃO/2013 E SIMPÓSIO DE CERÂMICA-CURITIBA

A notícia espalhou-se. No Próximo ano teremos o Salão de Cerâmica Paranaense, novamente. Confirmado, também, o Simpósio Bianual. A informação é auspiciosa. Finalmente, poderemos contar novamente com este evento de grande importância para a Cerâmica Paranaense e também, por que não, Brasileira. A troca de informações, os encontros, até os negócios que acontecem nestes eventos tornam o espaço interceramistas mais curto, mais integrado. O SALÃO DE CERÂMICA é uma referência Nacional. Ficou um vazio que agora está novamente sendo preenchido. Vale a pena o Salão. Centenas de ceramistas dedicam-se para expor seus trabalhos, dar visibilidade que, de outra maneira, seria praticamente impossível. Além da democratização deste acontecimento, pois todos, em qualquer cidade do país, terão acesso e poderão mostrar para aprovação e confrontação de outros trabalhos. Não se trata de gincana de competição entre este ou aquele ceramista, mas, principalmente, para mostrar que faz samba também. Isso valoriza o ceramista, melhora o preço de seu trabalho.Fora do eixo Rio/Sampa é necessário que as coisas aconteçam. Não tem mais motivos para não ser assim. O contato com a cerâmica mundial é acessível, porém o encontro viabiliza a imagem direta, interage, de maior valor. Temos motivos para parabenizar a Secretaria Estadual de Cultura por atender a esta necessidade de desenvolvimento artístico, técnico e cultural de sua comunidade. Beleza!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

OFICINA RAKU E FORNO-IBIRAQUERA-SC(digitando)

Construí, a pedido, um forno de Raku, em inox, para ser usado no litoral, já que a maresia acaba com os tonéis de ferro. Estes são baratos, mas de curta vida. O forno partiu do tamanho da peça que se queria queimar com essa técnica = 75 cm de altura. Então, o forno,além deste tamanho precisou mais 25 cm da câmara de combustão. Altura total, 1 metro e cinco centímetros. A partir daí defini a largura, formato cilíndrico, depois a abertura da entrada de gás e saída superior. A potência do maçarico é uma conseqüência destes dados. Aliás, todos estes dados estão inter-relacionados. Para calcular este forno usei o método do Maestro Chiti. O material usado foi a fibra, internamente, presa com botões refratários. Este material não é recomendado pelo Maestro, que, aliás, abomina, devo ressaltar.
As soluções foram inventadas e a solda com inox sempre apresenta alguma dificuldade, bem como modelar as barras de aço e as chapas. O resultado foi excelente, com apenas um maçarico foi possível fazer a queima, no tempo que se quiser, 30 minutos ou uma hora. Mais rápido que trinta minutos somente com massa preparada para isso, com boa quantidade de materiais que resistam ao choque térmico = talco, chamote e sílica. Foi uma jornada excelente com pessoas muito a fim de aprender a técnica e manusear o forno. Rolou o mais alto astral, bem bacana mesmo. Além da oficina ter acontecido às margens de uma lagoa que tem conexão com o mar.
O aprendizado das técnicas de Raku, como estou acostumado a fazer, é simples. O início deve ser sempre, eu acho, usando vidrado transparente, alcalino, com os corantes mais usados, cobalto, cobre e cromo, depois os opacificantes. Assim, cada pessoa pode começar a pesquisar, conhecendo o comportamento mínimo dos vidrados. Evido o uso de vidrados à base de chumbo, porque o iniciante, precisa tomar cuidado redobrado. Assim, de pois de consolidada a técnica, fica mais fácil preservar-se dos vidrados plúmbicos.
O vidrado com baixo percentual de cobalto dá essa coloração azul suave, celeste.

CACATU-ANTONINA-PR

Acho que já foram 4 cursos de 8 dias que ministrei na Comunidade de Cacatu, Município de Antonina, no Paraná. Tem algumas pessoas organizadas que
tem a cerâmica como, presentemente, uma forma de ampliar o seu rendimento. Estes cursos, patrocinados pelo Senar - Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, tem como objetivo real o de promover ensinamentos técnicos e artesanais na área rural. O grupo tem melhorado, apesar de não ter nenhum apoio externo e ser obrigado a
ter outras atividades para sobrevivência. Mas, mesmo assim, aos poucos, tem melhorado e bastante na sua qualidade de modelado. Vem à tona o velho problema de investimento para melhoria. O grupo já conseguiu um torno de pedal. A massa cerâmica tem sido resolvida de forma simples, porém, efetiva. Inclusive como inovações na produção de massa sem pedregulhos. O Jorge, que é uma pessoa do grupo, usa uma furadeira manual com agitador adaptado para misturar bem os componentes da massa, depois passa numa peneira culinária e deixa secar sobre uma placa de gesso, dry wall. Funciona e muito bem, até aprendi com isso e vou usar noutras comunidades que querem trabalhar com massas produzidas na própria comunidade.
Cacatu é uma localidade de grande beleza cênica. Todo o paredão mais fantástico da Serra do Ma
r do Paraná está debruçado sobre esta região. O Pico Paraná está próximo, mais os outros principais picos, o Ceririca, Caratuba, Ferraria, Itapiroca, Morro do Sete, Anhangava e o Marumbi, todos estão visíveis. É espetacular. NOs momentos de iluminação de início e final do dia, sempre registro com a minha DX-40, velhinha, Nikon, companheira. Sem falar que na propriedade também passa um delicioso rio de águas cristalinas que pude desfrutar no início e final do dia, num caiaque leve, remando rio abaixo e rio acima. Deliciosa lembrança da minha infância, quando acreditava que o mundo resumia-se àquilo mesmo= NATUREZA!
A fauna de aves também é farta e com a primavera os sons matinais enriquecem o acordar. A variedade é grande.
Os sacos pendurados são ninhos de Guaxo, ou Nhá Pindá, ou Tecelão. Uma árvore lotada de ninhos, sobre o rio.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

SIMPÓSIO DE CERÂMICA/CURITIBA O Mexicano GUSTAVO PEREZ abrilhantou o Simpósio e foi um aprendizado escutar suas palavras e ver sua habilidade no torno e na execução de suas peças. Evidentemente que não houve demonstração de como passar o vidrado nas peças, queima e resultado. Mostrou peças prontas. Abriu o jogo totalmente de como encontrou o efeito que usa até hoje com o auxílio de estilete e deformações que realçam o corte com o estilete. Disse não ter qualquer problema em mostrar como encontrou efeitos que usa até hoje e que é uma carga muito grande ter que levar segredos nos ombros. Muita bondade e grandeza. Ressaltou que todos os seres humanos são únicos e que todos encontrarão um trabalho que será próprio, mas para isso precisam insistir e ter confiança em si próprio. O Sucesso do Gustavo é evidente, pelas exposições que realiza e pelo preço de suas peças, dependendo do tamanho, valendo vários milhares de dólares. Ora, isso é um incentivo e uma direção. Dá para acreditar que é possível sobreviver e ter sucesso com a cerâmica. Simplicidade, auto-crítica e muito trabalho. Claro, uma boa dose de boa sorte, estar no momento certo no lugar certo, encontrar a pessoa certa, mas, principalmente, ter um bom trabalho, acreditar nele e avançar, sempre. A foto do Gustavo tem como fundo uma de suas peças. Na outra a parte interna de uma peça deformada por ele.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

SIMPÓSIO DE CERÂMICA/CURITIBA

Aconteceu de forma mais simples o nosso Congresso Nacional de Cerâmica, agora com a nova versão, retornando à mais antiga, Simpósio Paranaense de Cerâmica. Mais de 50% das pessoas que se inscreveram, não compareceram. Não foi cobrado taxa, por isso estava fácil fazer a inscrição, depois, comparecer, não foi importante. Isso contribuiu para esvaziar o acontecimento, favorecendo a idéia do Governo Estadual de congelar este evento, eliminá-lo simplesmente. Os próprios ceramistas contribuíram para acabar com o evento. Ri, sozinho, quando estive lendo, nesta semana, o grego Hesíodo ( em espanhol), no livro "Os Trabalhos e os Dias": o ceramista com o ceramista se irrita....!!!! Hilário, há dois mil e oitocentos anos.......!!!!!!!!! SERRA DA CAPIVARA X PROJETO ÑADEVA! As duas palestras que aconteceram juntas, em seqüência, com a Administradora do Projeto de Cerâmica da Serra da Capivara e a Maria Cheung e Izamara, do Projeto Ñadeva, de Fóz do Iguaçu, foram muito interessantes. Estavam, lado a lado, os dois projetos que eu acho os melhores do Brasil em termos de artesanato com identidade, com resgate cultural e com a participação da comunidade e, ainda, principalmente, com retorno financeiro. O Projeto da Serra da Capivara que aproveita os desenhos Rupestres do Parque da Serra da Capivara para colocar na cerâmica já é conhecido em todo Brasil. Criou uma marca. A luta deste povo, que para comprar gás para os fornos precisam viajar 380 kms, é e foi titânica. Admirável. O apoio que teve de Niede Guidon, responsável pelo Parque da Serra da Capivara, arqueóloga francesa, conhecida mundialmente, que ainda luta pela preservação das pinturas do Parque, com poucas verbas, etc, mas, com sua ajuda, criou visibilidade no exterior o trabalho artesanal daquele povo batalhador. Já o Projeto Ñadeva é quase um projeto Padrão. Levantamento de tudo que se conseguiu na tríplice fronteira, arqueologia, cultura, natureza, depois um trabalho de design de grande nível, publicação de livro em dois volumes, etc. O resultado conseguido foi de grande nível. É o ideal, o sonhado. A diferença entre os dois projetos foi o apoio financeiro da Itaipu para este último. Os dois projetos são fantásticos.O primeiro foi mais batalhado para sobreviver e ainda luta para isso. O segundo luta, também, porém em melhores condições: 580 associados! Parabéns para os dois projetos, minha sincera admiração e respeito! Quando crescer, gostaria de poder participar de um projeto assim, qualquer um dos dois!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

OLÁ!

Uma deliciosa preguiça tomou conta de mim nestes dois meses, apesar de ter trabalhado muito. Precisava ficar um tempo sem escrever no blog. Ministrei um curso de cerâmica Básica, aqui em Quatro Barras, onde descobri uma argila, no próprio local do curso, de alta qualidade para confeccionar uma massa fina, sem areia, de queima bem vermelha e ótima resistência à flexão. Construí um forno daqueles que costumo construir, forno este que inventei baseado em outros que conheci e vi na literatura. Só que desta vez consegui fabricar uma grelha e coloquei a um terço da altura da fornalha, de baixo prá cima. O resultado foi excelente. O forno melhorou sua performance. Acho que foram 36 fornos, no total, que construí iguais à esse, até hoje, e essa foi a primeira oportunidade em que usei, também, uma grelha. A entrada de ar fica liberada e o resultado foi uma queima muito boa. Ao final de 8 horas as chamas saíam abundantes pelas chaminés. Com meia hora de patamar, pronto. No outro dia, todas as peças estavam perfeitas, bem queimadas. Participei também de um curso de modelado da cabeça humana. Tô sempre procurando melhorar meu modelado. Gosto da figura humana, sempre gostei, continuo batalhando, dentro do meu tempo, para dar pequenos saltos de qualidade. Agora estou ministrando outro curso de cerâmica Básica, em Pinhais, aqui
na região metropolitana. Vai de quebra uma foto da minha neta, não querendo ser fotografada... A outra é de um manequim com cabelo de barba de velho com uma iluminação
deliciosa. A primavera sem chuvas também permitiu aos ipês amarelos uma floração incomum....
Noutra foto, mãos fortes produzindo
cerâmica. Um abraço prá todos!

sexta-feira, 10 de agosto de 2012