segunda-feira, 19 de julho de 2010

INVERNO/NATUREZA







Tô sentado olhando prá uma cerejeira do Japão lotada de flores ao lado do meu ateliê. O pensamento é recorrente: Hamada escrevendo pro Bernard Leach, que já citei anteriormente: “sinto que a primavera entra dentro de mim cada mais, quando vejo as cerejeiras floridas”. Obrigo-me a parar, sentar em frente à cerejeira e ficar contemplando. Aproveito e fumo um charuto de uma hora e meia (prazer que me reservo cada final de semana), como forma de me reter no local, sentir o momento, ver a floração que é tão fugaz. Também tomo um chimarrão prá molhar o bico. Várias espécies de aves vêm alimentar-se com as flores. Sanhaços, Baitacas, tiés e mais os beija-flores estão permanentemente sugando nectar, outros mais, também.
Este ano como os caquizeiros deixaram de produzir seus frutos e olha que aqui, Quatro Barras-PR, era conhecido como a terra dos caquis, as aves ficaram sem um alimento que tinha em grande quantidade. Aconteceu em toda a região. Apareceu um fungo que atacou os caquizeiros e todos estão doentes. É lamentável! Ainda não existe um diagnóstico. Perdi um espetáculo anual que enlevava meu espírito e enchia meus olhos com a grande quantidade de espécies de aves que vinham comer caquis em frente à minha janela. Pelo contrário, fico triste em perceber e sentir que o nosso mundo está mudando prá pior.
A Natureza não está sendo levada em consideração. O nosso código Florestal está sendo usado para espremer o Meio Ambiente. Quem não vê que estamos indo numa direção sem volta, que o Ser Humano não tem projeto que tenha como foco a Humanidade, a Solidariedade, Igualdade e mais todos os ideias que todos sabemos e que não precisam ser enumerados, estão na cara.
Reviveram bactérias de 250 milhões de anos, imagens captadas do Universo (Huble, radiotelescópios)quase no limite do visível (o Universo visível tem 14,7 bilhões de anos luz de diâmetro), para construir um acelerador de partículas do jeito que os cientistas acham viável para entrar mais fundo no mundo microscópico das partículas que compoem matéria custa uns 30 bilhões de dólares, um projeto que leve o homem à Marte custa uma baba de 150 bilhões de dólares, para levar homens à lua somente uns 50 bilhões de dólares, os cientistas querem levar a vida para outro local do espaço (rs), a cada minuto é desmatado mais de um hectare, a fome dos pobres aqui no planeta é bilionária, no final do século dezenove os cientistas achavam que já tinham descoberto tudo sobre a Natureza, a cada 65 milhões de anos acontece uma catástrofes que dizima quase todas as espécies do planeta Terra, somente tem 3 planetas com possibilidades de vida no Sistema solar e mais uma lua de Saturno e outra de Júpiter, a Natureza apresenta maravilhas que parecem encaixar-se para que a Evolução avance com um objetivo que ainda não sabemos qual é, a água ao congelar aumenta em 10 % seu volume o que faz com ela flutue nas própria água, não congelando o fundo dos oceanos, a inclinação do planeta na trajetória solar permite a existência dos trópicos que, nas estações varre todo o planeta distribuindo luz nos polos de meio em meio ano, igualmente, distribuindo de forma equitativa o calor, a vida demorou 3 a 4 bilhões para chegar no estágio atual, há apenas 500 milhões de anos que a evolução começou a se diversificar para além de bactérias, a cada 80 milhões de anos todos os continents ficam juntos novamente, o oxigênio do planeta é resultado de ação bacteriana, se os 22 % de oxigênio aumentassem para 30% teríamos combustão espontânea de toda a materia orgânica, se o percentual fosse apenas 15% seria um problema fazer fogo, desconhecemos quase totalmente os fundos dos oceanos, pode ser que existam de 10 a 100 milhões de espécies no planeta, apenas conhecemos mais ou menos 2 milhões de espécies, se existem extraterres, onde eles estão? (Fermi), tem mais, tem mais, de monte, O NOSSO PLANETA É UMA MARAVILHA DO UNIVERSO, ele é único, e seu equilíbrio é frágil.
Vou humildemente e com muita garra voltar ao meu trabalho cerâmica, na busca de um resultado, pensando no poema do A.Huxley, que vou escrevendo de memória : “Pois se em tempos, os filhos da nobreza cantavam a beleza a Grécia e o proprio Deus, nós, os filhos de agora bem sabemos o sítio em que vivemos, enquanto isso desce na Terra o Espírito Santo em luz Banhado”.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

CONGRESSO DE CERÂMICA CURITIBA-PALESTRA




Fui convidado para dar uma Palestra no Congresso Nacional de Cerâmica, para relatar a minha experiência em aulas de Cerâmica Básica, estas que aparecem regularmente no meu blog. Foi uma excelente oportunidade de divulgação deste trabalho e, também, do Senar, que financia estes cursos cujo objetivo é o de apresentar uma forma de geração de renda e conhecimento para comunidades rurais e que tem pouco acesso à informação. Tenho observado o crescimento do conhecimento das pessoas que fazem estes cursos. Tem localidades, é claro, onde o assunto é esquecido e mandado para as calendas de qualquer estação. Todavia, em outras, como Guaraqueçaba, Antonina e Tibagi, a coisa foi tomando um rumo muito gratificante. De Tibagi vieram 10 pessoas participar do Congresso, fazer oficinas com profissionais do Brasil e do Exterior. Foi um avanço que vai deixar marcas profundas nas pessoas e, ainda, ampliar de forma definitiva o conhecimento. Por exemplo, o Renan, de Tibagi, com 14 anos de idade, veio participar de uma oficina de modelagem com um filho do Mestre Vitalino, de Caruaru. Pôxa, isso é fantástico! Um acesso proporcionado pelo Congresso que transformará positivamente a vida do adolescente. Sem falar que, com essa idade, ter uma oportunidade dessa não acontece toda hora. Como ficará a Cerâmica em Tibagi depois do Congresso? Já tinha avisado, não façam oficina comigo(estava ministrando uma oficina de vidrado de cinzas), porque estou aqui presente, de fácil acesso, aproveitem outros para ampliar o leque de informações e procurem fazer oficinas diferentes para que, retornando a Tibagi, possam trocar as experiências. Muito bom, muito bom! Além disso, duas pessoas foram selecionadas para o Salão de Cerâmica, seus nomes constaram no catálogo impresso e suas peças ainda estarão em exposição até meados de outubro, na Casa Andrade Muricy, no centro de Curitiba.
Guaraqueçaba tem estado presente nos Congresso e já levaram vários premios. Mesmo sem apoio de nenhum órgão, vários ceramistas de lá aqui aportaram para aprender e evoluir na Cerâmica. Aproveito para registrar que, de Tibagi, o Sindicato Rural deu uma força para que as pessoas viessem aqui participar do Congresso.
Antonina está começando e embora uma peça tivesse sido pré-selecionada fotograficamente, ao ser queimada a peça estourou e ficou prá outra oportunidade. Todavia, valeu, os cursos em Antonina começaram apenas neste ano, já foi um interesse, um sucesso (estou falando apenas do local onde dei o curso de cerâmica Básica).
Na palestra mostrei fotos de construção de fornos, de peças modeladas pelos alunos. Esqueci de ressaltar que a maioria dos que começam nestes cursos nunca tiveram experiência anterior. Já construí 32 fornos do modelo que aparece nas reportagens. Pude fazer variações que foram simplificando a construção e melhorando o funcionamento. Posso concluir que o curso funciona, todavia seria muito melhor se houvesse continuidade, não apenas 64 horas e depois não ter retorno. O aprendizado cai no esquecimento por falta de estímulo. Eu, também, tem momentos em que me sinto cansado nos meus sessenta anos, quando vejo que todo o trabalho e empenho não resultaram em algo positivo.

CONGRESSO NACIONAL DE CERÂMICA - CURITIBA





A Oficina que ministrei no Congresso Nacional foi de Vidrado de Cinzas. 22 participantes de várias partes do Brasil, inclusive do Peru. Foi uma maratona em que me meti para poder dar resultado para os alunos. Primeiro porque achei importante que fizéssemos os testes das matérias primas = feldspatos de Na, K, e Li, Argilas branca e vermelha, carbonato de cálcio, cinzas lavadas e não lavadas. Além disso, fizemos uma amostra para cada um de seis formulações. Foram duzentas e poucas amostras queimadas a 1220 graus centígrados. O forno não esfriou a tempo para a Oficina do dia subsequente. Fiquei meio impotente, pois não tinha acesso ao forno. Se fosse meu eu abriria aos poucos e daria um jeito para que antes do início da segunda oficina estivesse pronto para ser analisado e poder, assim, dar continuidade ao curso como tinha planejado. Veja foto de algumas amostras das placas com os vidrados. Como eu já possuía amostras semelhantes que testei antes da oficina, usei estas como se fossem as verdadeiras para podermos avançar no trabalho. Então cada participante passou vidrado numa peça individual e levamos ao forno a 1210 graus centígrados. Antes da oficina, quanto estava confeccionando as placas, telefonei para o Caio que produz, junto com seu pai, massas cerâmicas em São Paulo, a Pascoal Equipamentos e Massas Cerâmicas Ltda, e fizemos uma parceria. Fiz as placas teste e torneei as peças dos alunos com a Massa Creme com Chamote e a Shiro, que é branca. A vantagem é que, além da parceria, todos poderão repetir o teste com as mesmas massas. Eu fabrico minhas próprias massa, mas não teria essa amplitude de usar uma massa do mercado, de fácil acesso.
As peças queimadas e o resultado das placas ficaram prontas no terceiro e último dia. Consegui com o Sebastião Pimenta, de Minas Gerais, que estava dando uma Oficina de Vidrados com Cristais, para que queimasse uma peça a 1250 graus centígrados que era a temperatura que seria usada para os cristais. É a foto do pequeno vaso da reportagem. Participei como aluno da oficina do Pimenta, que foi muito proveitosa.
No local onde acontecia o Congresso não tinha fornos cerâmicos, cada dia precisava levar para um local diferente em forno diferente. Assim, as amostras que testei antes do Congresso foram queimadas a 1230 oC, as placas/amostras do primeiro dia da oficina a 1220 oC, as peças de cada aluno a 1210 oC e uma peça a 1250oC. Com isso ampliou leque de informações, que foi vantajoso, já que a oficina tem o objetivo de ilustrar, dar uma orientação para que cada um inicie uma pesquisa própria.
Este Congresso, como de resto todos os outros, são importantíssimo para os ceramistas, pois permite uma troca de informações, conhecimento de novas técnicas, ampliação de relacionamentos de classe, etc.
Espero que a oficina tenha sido proveitosa. Iniciei esta oficina de trás prá frente. Pois para conseguir apresentar resultados foi necessário já começar a confeccionar as provas, o que tomou muito tempo. Por isso, deixei apresentações e a parte final, teórica, para o final. Acho que deu certo.

Cacatu - Retorno








Cacatu foi um lugar agradável de dar um curso de cerâmica. Tive a grata surpresa de ser informado, ao retornar, que a turma tinha aproveitado a zimbra (que é o suporte de madeira para sustentar a cúpula do forno quando ele é construído) para fazer um forno na casa de um dos participantes do curso.
Foi no dia do jogo do Brasil contra um destes times aí, na Copa de Futebol. Nem assistiram ao jogo. Todavia, quando o forno ficou pronto e a zimbra foi retirada, o forno caiu. Ninguém desanimou, imediatamente começaram a reconstruir. Mas, ao ser terminado, começou a pender para um dos lados e foi apoiado para não despencar. Ao voltar para completar o curso logo fui informado e rir foi a melhor solução. Fomos, então, em 5 pessoas, contando comigo, para ver o que tinha acontecido. O diagnóstico foi rápido. O forno estava condenado, tinha que ser desmanchado e reconstruído. Isso foi feito em 4 horas. Recorde de construção. Vejam a cara do pessoal quando caiu o forno. Mas não esmoreceram, refizeram e hoje estão lá com o forno pronto. Fantástico!
O que aconteceu foi o seguinte. O forno tem que seguir algumas regras na sua construção, principalmente na parte da cúpula. Por exemplo: quando o arco começa a ser montado, os tijolos precisam ser encostados um no outro, como apoio, porque a massa, sendo de barro somente ficará firme, transformada em pedra, quando o forno for queimado. O rejunte, também, não pode ser muito grosso, pois o próprio peso do forno pressionará a massa que escorregará para os lados.
O principal foi a vontade de fazer um forno de ter independência de produção. Fiquei feliz, achei que valeu a pena o curso de poucos dias.
Neste retorno fizemos o acabamento das peças, a queima, que não foi muito boa porque a lenha estava muito molhada e o forno demorou demais para subir a temperatura. A estrutura de proteção do forno foi construída com o Bambu Balde. Beleza!
Levei um forno de raku e para brindar esta turma interessada, fizemos uma queima com vidrado que levei, também, mais o maçarico e toda paraphernalia para efetivar uma queima de raku.

Pretendo em agosto dar novo curso neste local, para aprofundarmos mais um pouco o estudo da cerâmica.
Durante o curso recebi a visita de alunas de Antonina, onde ministrei curso no mes passado. Foi uma honra!

sábado, 12 de junho de 2010

VIDRADO DE CINZAS




Estou bolando uma oficina de Vidrados de Cinzas para o Congresso Nacional de Cerâmica em Curitiba, nos primeiros dias de julho, mês que vem. Para pesquisar e começar a trabalhar com os vidrados de cinzas, primeiro fui atraído pelo livro de Bernard Leach. Aliás, qual foi o ceramista que, interessado em estudar vidrados e a cerâmica em geral não ficou atraído pela Cerâmica do referido? O Livro A Potter's Book, tenho uma tradução espanhola "El Libro del Ceramista", é de cabeceira. Sempre tem alguma informação, sem falar que é delicioso como leitura, pois sentimos a consistência do trabalho do mestre. Ele sugere o 221, dois de cinzas, dois de feldspato e um de argila. Assim começa a pesquisa. Depois apareceu a fórmula limite de Rhodes, que mostra os limites a serem usado dos componentes de vidrados de cinzas. Ainda, para complementar, o Mestre Chiti que fez o amplo estudo da cerâmica artística artesanal e sempre reforça as informações com algum toque prático e suas formulações próprias. Tem muitos outros livros com receitas, ilustrações, mas, para começar, isso já dá pano prá muita manga.
As matérias primas devem ser testadas separadamente para se saber o comportamento individual. As cinzas podem ou não serem lavadas. Quando lavamos tiramos as partes solúves com o Sódio e o Potássio, que são cáusticos, e, com isso, deixamos as cinzas mais duras, ou seja, com ponto de fusão mais elevado. Bem, para lavar as cinzas não se deve esquecer de usar luvas e tomar os cuidados necessários para evitar as "queimaduras"que são fracas, mas, no olho, tem efeito mais forte. Depois de lavadas as cinzas devem ser queimadas a 800 graus centígrados, no mínimo para queimar os pequenos pedaços de carvão que ainda existam. Depois peneirar em malha 30, suficiente. Para preparar as soluções, sempre é bom usar CMC (solução a 5%) e um pouco de vinagre ou limão melhora a solução, quando não se usa carbonato de cálcio, porque este reage com o ácido e borbulha, inutilizando o preparado. Antes de adicionar a água com o CMC, deve-se moer os componentes, para deixá-los com granulometria mais fina e, depois de adicionar a água com CMC, passar em malha 80.
Os vidrados de cinza só tem resultados melhores queimados acima de 1200 graus centígrados e melhoram ainda com a redução ao final da queima.
Os vidrados de cinzas podem ser transparentes ou opacos, o percentual dos componentes da cinza é que definirá isso. Pode-se, também, adicionar óxidos de cobalto, cromo, cobre, para colorir a massa, ao gosto de cada um.

CACATU - Antonina







Desci a Serra do Mar, pela Estrada da Graciosa e fui até o Bairro de Cacatu, no município de Antonina. Fica no pé da Serra do Mar. Ao fundo todo o maciço, com os pontos mais altos do Sul do rasil. Pico Paraná, Ferraria, Siririca, Itapiroca, Ibitiriti, etc.
Esta localidade, o Cacatu, ficou famosa por ser escolhida por japoneses para começarem uma colônia. Vejam na foto o Memorial da Imigração Japonesa, com a anfitriã Márcia Ito. Todos os anos descendentes dos imigrantes encontram-se neste local para uma confraternização.
Os japoneses sempre com a sua maneira própria de se expressar, tendo como é bem conhecido, um jeito peculiar de tratar com a Natureza e conseguem, sempre, uma parceria, com Ela, cujos resultados surpreendem. Na chácará espantei-me algumas moitas daquele bambu de diâmetro considerável (25 a 30 cm), como mostra a foto, chamado Bambu Balde.
Quem tem amor pela Natureza acaba tendo um retorno pelo contacto de pessoas que tem o mesmo sentimento. Assim, as trocas de plantas, sementes sempre acontecem e o patrimônio genético de cada um vai ampliando, para salvaguardar a invasão transgênica e devastadora que está apertando e consumindo nossa Biodiversidade.
Como esta localidade está situada nos pés da Serra do Mar, que é constituída de granito, achar uma argila sempre é fácil.Pesquisamos algumas para compor uma massa e ao longo dos 4 dias desta primeira etapa do curso sempre fomos procurando outras para encontrar a massa que seja melhor. Isto é um desafio que ao final do curso sempre é vencido, apesar das dificuldades.
Foi um curso tranquilo, com as pessoas muito interessadas, o que flui naturalmente, dando resultados. Neste lugar as pessoas cooperam e querem aprender. Quem ganha com somos todos nós. Pena que este curso do Senar seja tão rápido, pois sabemos que para poder chegar a um nível melhor o aprendizado deve ser ampliado. Todavia, para aqueles que querem aprender, já, nesta primeira etapa, os resultados são concretos.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Tibagi





Terminei mais um curso em Tibagi, segunda etapa. Foi uma surpresa, duas pessoas foram selecionadas para o Salão Nacional de Cerâmica, de julho deste ano, em Cerâmica Popular. Nem todos que mandaram suas peças foram selecionados. O importante é que dois entraram.
Foi uma surpresa, uma alegria generalizada pela vitória destas pessoas. E não é só isso. Pessoas com pouco treinamento, vejam que o curso é curtíssimo, mas com enorme vontade, seguem adiante em busca de seu futuro. Não ficam paradas! Estas mesmas pessoas de Tibagi vão participar do Congresso Nacional de Cerâmica, em Curitiba. Vejam, depois de aprender a modelar, quase todos estão indo para o Congresso Nacional e fazer oficinas com pessoas de renome nacional. Por exemplo, um garoto muito novo, 18 anos, que está começando a fazer cerâmica popular vai fazer um curso de modelado com um filho do mestre Vitalino de Caruaru. Esta é uma experiência marcante na vida de uma pessoa. Outra que está modelando muito bem vasos de grande tamanho com um estilo lindo, prá lá de popular vai fazer um curso com uma argentina que alem de designer vai ensinar várias técnicas para modelado de pias, etc. Tem outras oficinas e 10 pessoas irão a Curitiba participar delas. É uma vitória, uma conquista dos novos ceramistas. Assim um curso encontra resposta, vale a pena.
Isto determina a sequencia que sugere este aprendizado. Guaraqueçaba, no litoral do Paraná, cujo desenvolvimento cerâmico começou há poucos anos, está em peso no Salão de Cerâmica, o único evento Nacional desta natureza. Muitos foram selecionados. É o caminho que Tibagi está tomando
Ainda estou batalhando para conseguir implantar, em alguma comunidade, um centro de cerâmica, com acompanhamento por um ano ou dois. Ainda complementaria com outros cursos de aperfeiçoamento, para que todos vejam novos pontos de vista. Por exemplo, um Designer , especialista em Corda Seca, Torno, Vidrados de Cinza, etc.
Vejam a foto das peças queimadas no forno construído na primeira etapa do curso. Queima excelente, o forno, igual aos demais, funcionou melhor do que todos os 30 que já construí.
Mais uma vez fui demorar-me olhando as peças arqueológicas indígenas, pelas quais estou cada vez mais atraído, levando-me para o mundo da arqueologia cerâmica sul americana. Neste sentido estou mergulhado no livro de André Prous = Arqueologia do Brasil.
Ainda fui olhar as garças no final do dia, num belíssimo por do sol.