sexta-feira, 2 de abril de 2010

MORRETES-PARANÁ





MORRETES- PARANÁ

Morretes, juntamente com Antonina, Paranaguá, Alexandra e Guaraqueçaba são as cidades mais antigas do litoral Paranaense. Todas tem sua beleza própria, a arquitetura herdada portuguesa, e, principalmente porque foram escolhidas como cidade por estarem num ponto de grande beleza e estrategicamente situadas. Morretes, próxima a Porto de Cima, era o caminho mais fácil de acesso ao primeiro Planalto Paranaense. As mercadorias que chegavam de navio em Paranaguá eram levadas de barco até Morretes, Porto de Cima, e dalí, pelo caminho da Graciosa ou do Itupava ultrapassavam a Serra do Mar. Os caminhos da Graciosa, depois Estrada da Graciosa, e o Itupava são pré-colombianos e usam a topografia da Serra do Mar em seus trechos de mais fácil acesso, de forma objetiva pela civilização que antecedeu à chegada dos europeus.
Toda manhã desci de carro até Morretes, pois moro na Estrada da Graciosa já no primeiro planalto. Cortar a Serra do Mar toda manhã, com chuva, neblina ou sol é sempre uma oportunidade deliciosa. Velocidade de 30, 40 km por hora, vegetação luxuriante (a maior faixa continua remanescente preservada da Mata Atlantica, considerada a maior Biodiversidade do Planeta) a exuberância, o clima agradável revigoram e remetem, imediatamente, à grande loucura humana de devastação do nosso Planeta. A Estrada da Graciosa foi definida em seu traçado por Antonio Rebouças, o mesmo que vendeu a idéia da ferrovia transpondo a Serra do Mar, concretizando o primeiro projeto. Seu irmão André Rebouças é considerado o primeiro ecologista que por aqui aportou, isto nos anos 1860 (ano do início da construção da Estrada da Graciosa). André Rebouças , sugeriu, no século 19, que se fizessem corredores ecologicos, vindo das Cataratas do Iguaçu, até a Serra do Mar, usando os rios, antecipando as Áreas de Preservação Permanente que são as matas ciliares dos rios. Isto preservaria, intacto, todo o nosso sistema hidrológico, juntamente com os animais, que poderiam transitar por todo o Estado. A idéia de Corredor Ecológico é o que se pode pensar de mais fantástico em termos de Preservação Ambiental porque ele garante a interligação da fauna e flora, diretamente, através de todos os acidentes geográficos, por todo o território..
Em Morretes fui ministrar o curso de Cerâmica na area rural. O curso de Cerâmica Básica segue uma sequência lógica: verificar as argilas locais, preparar uma massa cerâmica, testar, ensinar as técnicas básicas, construir forno, dar acabamento nas peças, queimar, ver os resultados, fazer a crítica dos resultados e recomeçar.
O curso foi na casa da Dalma, ela cedeu e organizou o espaço, chamou as pessoas, responsabilizou-se pelo evento. Encontramos uma argila de boa qualidade em seu próprio terreno, que misturada com outra um pouco mais plástica, forneceu uma massa aceitável. Morretes não é conhecida pela qualidade de suas argilas, apesar de estar nos pés da Serra do Mar e do Pico Marumbi, de origem granítica, portanto, gerador de argilas e caulins. A cidade de Alexandra, que está bem próxima, tem argilas e caulins de renome.
As pessoas envolvidas no curso não possuiam conhecimento cerâmico anterior. Todavia, os resultados apareceram e a própria Dalma apresentou alguns trabalhos interessantes, como uma panela no estilo mineiro e, também, mostrou eficácia noutro tipo de trabalho, que foi o seguinte. Levei máquina fotográfica digital, computador e impressora. Escolhi alguns casarões do início do século passado de Morretes, fotografei as fachadas, passei para o cumputador e imprimi na hora. Foi esticada uma placa de massa cerâmica, já produzida no local, e foi repassado o desenho da fachada para a placa, feito o acabamento, que é difícil e da qual imediatamente fiz uma forma de gesso e pode ser copiada, em série. É o tipo de Artesanato de qualidade que deve ser feito e aproveitado em quase todas as localidades, aproveitando sua história local e vendendo como Lembrança de Morretes-Brasil, por exemplo.
Também, Dona Vitória, de 80 anos, participou do curso com um ânimo surpreendente e disposição para o trabalho inigualável, pois cumpriu perfeitamente todos os horários dos 8 dias de curso, incansável, alerta, positiva e interessada. Com ela troquei muitas plantas: bambu gigante, araçá king size, umê. Fora as frutas do conde que todos os dias trazia para consumo.
Sempre é um prazer visitar pequenas comunidades, poder compartilhar o conhecimento adquirido em cerâmica e incentivar as pessoas a procurarem uma nova forma de sobrevivência financeira de forma independente. Iso porque o curso permite que se comece um artesanato cerâmico do início ao fim. Por isso a construção de um forno simples, feito de tijolo e argila é fundamental
Todavia, um curso somente vale quando as pessoas nele envolvidas dão retorno. Daí, sim, fica empolgante e redobram os esforços para que se chegue ao melhor resultado possível.

segunda-feira, 8 de março de 2010

ANTONINA Curso de cerâmica Básica








Mês de fevereiro, calor intenso, chegando próximo dos 40 graus. Mesmo assim, com muito ânimo e pessoas interessadas, ministrei o Curso de Cerâmica Básica,no Siri do Portinho, Antonina, nossa joinha da Baía de Paranaguá. Foram 8 dias de aulas.
O espaço construído pelo Governo Estadual é de primeira qualidade, espaçoso e com material de primeira, novo. A biblioteca deixou-me até emocionado, pois vi ali um panorama da literatura mundial e nacional, com livros novos, contei aproximadamente uns 500, selecionados por alguma pessoa especializada em literatura e comprometida com o desenvolvimento do Ser Humano, doados também pelo governo estadual. Assim dá gosto ver algo concreto, que não sejam livros velhos, para encher linguiça e que não trazem cultura para ninguém. Nosso povo merece ter à disposição esse material todo. Se as pessoas vão ler, são outros quinhentos, mas aí vai o incentivo, estão alí, e o primeiro passo está dado e corretamente.
Ensinei as técnicas Básicas de Cerâmica: encontrar uma massa que funcione, como amassar, depois como esticar placas, colar, modelados livres. Também sempre acho necessário pesquisar junto às pessoas e saber o que elas gostariam de fazer. Normalmente, quem nunca trabalhou com cerâmica fica meio perdido, sem saber como começar. Daí parto prá um exercício de entrosamento com o material. Mexer com a argila, misturar e fazer algo sem pretensão, tentar deixar sair de dentro de sí uma figura, um objeto. Algumas pessoas retornam à sua infância com panelinhas e bonequinhos. Daí já está firmado o começo. É só continuar. Aqui em Antonina, neste curso, estava a Magda que faz uma cerâmica, construída com rolinhos e decorada com flores, principalmente, que já é um trabalho sedimentado e é uma doação ela participar e ensinar também o que aprendeu. Ela produzia, maceteado, "telhas"para peixes assados, com uma forma especial para isso e deixou que as pessoas usassem sua forma e copiassem. É sempre bom contar com alguém com mais experiência e que gosta realmente da cerâmica. Isso dá um impulso no ensinamento e melhora o clima, deixando de lado qualquer tipo de competição.
Fiquei muito contente com o resultado destas aulas. Houve uma dedicação por parte de todos e os trabalhos apareceram bem acabados e prontos para a venda. Há que se considerar que o "Siri do Portinho"além de servir refeições nos finais de semana, tem um espaço para exposição de artesanato para venda.
A queima foi um pouco difícil porque os alunos tem dificuldade de levar a sério a necessidade de lenha muito seca e que faça muito fogo e pouco brasa. Assim, vão deixando prá última hora e como choveu demais nestes meses, a lenha que apareceu era de madeira de construção, venha, encupinzada e encharcada, principalmente. Mas isto, fora o trabalho que me dá, serve como aprendizado. O eucalipto continua sendo a melhor opção para queima, pois sendo uma lenha de reflorestamento, exótica, mas não envasiva, sempre se encontra. Sobre isso, hoje estou com uma opinião até um pouco diferente da que já tive, acho necessário que se plantem espécies para queima, assim vamos deixando de lado o desmatamento desenfreado de espécies nativas, em extinção e, principalmente, da nossa Mata Atlântica , tão rica, exuberante e tão desvalorizada por nós.

sábado, 23 de janeiro de 2010

JANEIRO 2010




Segue aí uma foto de um vidrado turqueza. A técnica de vidrado é por vertimento. Gosto desta técnica, ela tem a ver comigo. Controle do movimento e rapidez no trabalho. Tenho essa tendência em pesquisar, errar, errar para ir aprimorando o movimento, a rapidez.Por isso, é comum que eu quebre uma quantidade de peças, depois de não gostar do resultado, para buscar a finalização do movimento e, assim, chegar naquilo que me interessa. Esse vidrado, turqueza, é feito com uma base alcalina. A basa alcalina é com bicarbonato de sódio, com um pouco de borax. Na verdade os ceramistas artesanais, artísticos, tem pouca possibilidade de comprar uma frita de baixa temperatura, alcalina, pronta para usar. Como alternativa, usamos o CMF-096 que se encontra em todas as lojas de materiais cerâmicos. Como esse vidrado é transparente, na verdade ele é uma base alcalina. Seu ponto de fusão é 980 graus centígrados. Para obter o resultado da fotografia, usei 14% de óxido de estanho SnO2 e 3% de óxido de cobre Cu2O.
Quando o óxido de cobre é usado em base alcalina a sua coloração resultante é o turqueza e o tom depende da concentração desse óxido de cobre. O óxido de estanho é para opacificar o esmalte. Para que aparecesse esse escuro nas partes não vitrificadas eu passei óxido de cobre diluído em água, com um mínimo de CMF-096, só para aderir o óxido de cobre e dar essa coloração escura, para efeito contrastante com o vidrado. Depois de passar o óxido de cobre, retirei o excesso com esponja úmida.
Como o óxido de estanho aumenta a temperatura de fusão e para dar mais brilho ao vidrado,fiz a queima a 1050 graus centígrados, com patamar de 20 minutos. O resultado é esse!
Se a base fosse plúmbica, a coloração do vidrado seria verde.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

VIVENCIA DE RAKU 12/12


No dia 12 deste mes aconteceu a ultima Vivencia de Raku do ano. Voltam as velhas praticas cada vez mais maceteadas, simplificando para que todos aproveitem em sua totalidade. A Vivência sempre tem algo mais, pois permite um entrosamento descompromissado com as pessoas e o trabalho é lúdico. Não existe uma obrigação de obter um resultado que seja fantástico, embora seja procurado. Perder o medo de errar é importante. Não ter medo do ridículo, ou seja, entregar-se à experiência sem se importar se o resultado não será apreciado pelos demais, mas, sim, encontrar uma forma gostosa de entregar-se a um momento, com intensidade. Os resultados simples quase sempre são os melhores. Normalmente as pessoas querem empanturrar a superfície de vidrado e, depois, o resultado não fica aquelas coisas. Eu, particularmente, gosto do gestual, do vidrado sendo passado em movimento. Isso é o que procuro é o que me interessa. Estou sempre atrás de um movimento que considero adaptar-se perfeitamente à peça. ESta tem que ser analisada em sua totalidade e buscar o vidrado que nela se encaixa. Depois, estudar o gesto, o movimento que, rapidamente, vai dar a cobertura que combinará com a forma. Ainda tem a cor que melhor vai realçar as qualidades das peças. Tenho procurado em pesquisas bibliográficas muitas formulações de vidrados para Raku, mas acho que a pesquisa tem que ser individual, pela compreensão dos vidrados e, então, inventar uma formulação que seja inusitada, que surpreenda. Os óxidos corantes mais usados são o cobalto, o cromo, o ferro e o cobre. O cobre, sim, pela sua coloração verde ou azulada, dependendo do vidrado, se é alcalino ou plumbico, e, ainda, com a imersão em serragem, reduzindo o oxido de cobre à sua forma metálica, sempre chama mais a atenção. Quando o efeito mescla as duas cores, o verde e o cobre, as peças combinadas com o preto da serragem, sempre é muito bom. Mas o efeito lambido, certinho não é o meu caminho. Procuro o rustico, a "simplicidade elegante", conceito zen que é a própria definição do Raku. Ainda sobre os vidrados, acho que o ceramista que está interessado em aprender deve começar por entender como funcionam os vidrados. Quais são os fundentes, o que é o vidrado propriamente dito (sílica, borax, vidrados alcalinos de sódio), e o feldspato como agente que controla a massa vítrea para que seja melhor distribuida num espaço de temperatura maior. É preciso, então, estudar um pouco sobre as formulações de Seger, ou seja, os grupos, alcalino, neutro e o ácido. Daí poder ficar mais fácil inventar formulações que sejam inéditas e que caracterizem de forma única o trabalho individual. Pode-se trabalhar com o borax, colemanita em vidrados borácicos. Também o Carbonato de sódio para formulações azuis belíssimas conhecidas milenarmente. Depois com o transparente alcalino ou plumbico vendido em lojas de cerâmica pode muito bem ser usado com os óxidos corantes. Não gosto do plumbico porque em redução fica meio cinza e perde muito a qualidade transparente. Para opacificar pode ser usado o óxido de estanho a 14%. Depois, só experimentar.
A Vivência tem, ainda, uma outra parte, que fica ao encargo da Beatriz, a chef que aparece na fotografia. Vestida à caráter ela é a responsável pelo almoço e pelo lanche de encerramento. Com seu amplo conhecimento culinário ela agrada a todos com seus preparados deleciosos, com o olhar na saúde, usando o que tem de melhor para alimentar bem o corpo e o espírito.
Para completar a Vivência, o espaço onde ela ocorre é muito agradável. É numa chácara e que tem 50% de área de preservação. O enfoque é Natureza = flores, frutas, árvores. Com isso tudo, as Vivências sempre acontecem num clima de congraçamento num alto astral e os resultados são muito gratificantes.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

CERÂMICA, NATUREZA, PRIMAVERA





A primavera sempre renova a vida. Os ciclos retornam trazendo novo alento. Aqui na minha casa, um casal de baitacas (periquitos da região) fez um ninho no beiral da casa. Repetiram o feito do no ano anterior, quando, para alimentar eles próprios e seus filhotes, acabaram, litaralmente, com a produção de peras de uma pereira que fica encostada à casa. Neste ano apareceu um mamífero pequeno que entrou pelo telhado e destruiu o ninho. Escutei o barulho, à noite, nas nada pude fazer. Meu medo era de que o casal de baitacas tivesse sido comido pelo mamífero, o qual, a princípio, julguei que fosse um gambá. Depois, aliviado, descobri que o casal sobrevivera, mas o ninho, não e eles sumiram dois dias depois da tragédia. Dei caça ao mamífero, pois além das baitacas, tem outros três ninhos de andorinhas, dois de corruíras que vivem no entorno da casa: telhado e paredes. Era um ratão, coisa rara por aqui, pois quase somente aparecem camundongos, que é comum nas matas. Quem deu fim ao ratão foram os cachorros, pois numa manhã ele estava no terreno, já acabado. Conferi os ninhos de andorinhas e corruíras, todos intactos. As baitacas acabavam com as minhas peras (o que considerava até uma vantagem por apreciar o desenvolvimento da família de psitacídeos). O ratão acabou com o ninho, os cachorros acabaram com o ratão. Tudo voltou ao normal. O ciclo repete-se e a vida continua.
Hoje está uma manhã de neblina que envolve a Serra do Mar. No vale onde corre o riozinho que atravessa o meu terreno está levantando um fio de evaporação. O dia está entrando suave, cálido, a natureza, na primavera, resplandece (... apenas raia, sanguinea e fresca, a madrugada... o velho Raimundo Correia). Eu me sinto agraciado por estar com paz de espírito para contemplar, ainda, a Natureza. Aproveito e vou tomar um banho no rio, faço um exercicio de alongamento, seguido de uma prática de Tai Chi Chuan, para me sentir mais integrado ao ambiente.
Depois dessa introdução o dia comum começa. Tomo um café e vou ao meu ateliê dar sequencia à minha atividade cerâmica.
Não posso deixar de ser influenciado, no meu trabalho, por esta manhã. Pelo dia de ontem, também, assim como pelos anteriores. Meu trabalho é o reflexo disso tudo. Não posso desvincular minha vida, meu trabalho, de toda a trama que me envolve neste breve intervalo de tempo que estou de passagem pelo planeta Terra.
É a Cerâmica que escolhi para trabalhar, passar o tempo, desenvolver-me espiritual e profissionalmente. Não é o único campo de interesse, mas foi o que defini como sendo aquele em que poderia me divertir, trabalhar, evoluir e, ainda, sentir-me feliz, na prática profissional. Trabalhar a terra, modelar o barro, transformar pelo fogo. A Arte não tem fim, limite, isso é o mais interessante, não tem linha de chegada. Tem objetivos, metas, mas o caminho é cheio de variantes que permitem adaptações, caminhando no rumo do que nos atrai. No campo da Cerâmica, estou interessado em tudo. Primeiramente no estudo de massas cerâmicas. As massas podem ser de baixa, alta temperatura, massa para utilitários, Raku, terracota. Na cerâmica de alta o grês, realmnte é o que gosto mais. Além das massas, tem o tipo de queima. Queima rápida, elétrica, à gás, à lenha, redutora, oxidante, neutra. Nisso tudo estou interessado. Depois de encontrar o tipo de massa, a maneira de queimar, começa o novo campo que é o de vidrados. A composição dos vidrados, o conhecimento dos materiais, seus pontos de fusão, misturas eutéticas, corantes, pigmentos, rochas naturais que podem ser usadas como vidrados, argilas, engobes, etc . Isso é apenas a parte técnica que permite expressar aquilo que estamos procurando, o que estamos querendo mostrar.
Depois disso tudo definido é que começa realmente a longa caminhada para a expressão próprio do indivíduo. Como sou Engenheiro Químico, a primeira parte é mais lógica, de mais fácil acesso, pois a Química Básica, que é o que se usa na cerâmica, tira-se de letra. Como meu campo de interesse é muito amplo, meu trabalho tem que ser laçado e ajuntado para eu construir uma unidade. Nisso que me dedico mais, atualmente, além do estudo da cerâmica propriamente dita. Minha poética, qual é? Sei que estou conectado à natureza, que sofro com a degradação planetária, e que a fraternidade humana é algo que, na prática, não existe. Então, conceito, poética, minha natureza, mais a necessária aplicação para o desenvolvimento do modelado (que é outro departamento enorme), são meus desafios neste momento. Preciso e quero colocar tudo isso no meu trabalho.
As fotos das aves são da minha casa. O caquizeiro, encostado à minha casa, fica lotado de passarinhos, comendo os caquis, à curta distância e eu posso fotografá-los tranquilamente com uma tele 300.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

CERÂMICA BÁSICA - MEU ATELIÊ




De 03 a 06 deste mes comecei um curso de cerâmica Básica no meu ateliê, patrocinado pelo Senar. Pôxa, no meu ateliê é outra história. Tenho todos os materias necessários para ensinar e produzir massas, bem como queimar à gás, lenha ou elétrico. Não é necessário improvisar. Comecei produzinho uma massa para queima em baixa temperatura, para raku e, ao mesmo tempo, serve, também, para confeccionar panelas e formas que vão ao fogo. Coloquei 50% de argila plástica que chamo de padrão pois tenho umas 10 toneladas no meu quintal e que vieram das margens do rio Miringuava, afluente do rio Iguaçu. 20% de uma argila branca, plástica que comprei na Mineração Bassani em S.Luis do Purunã-PR. Para resistir ao choque térmico, adicionei 10% de talco, 10% de chamote de tijolo e 10% de sericita, um quartzo malha 200 que compro numa mineração aqui próxima. São materiais que possuo em abundância e que tem preços baixos. O resultado foi uma massa de 10% de retração de coloração rosada, clara.
A segunda parte do curso aconteceu nos dias 16, 17, 18 e 19. Então, para ampliar a qualidade do curso, produzimos uma massa para 1200 graus centígrados. A composição dessa massa foi assim: 40% da argila padrão acima mencionada, 15% de argila branca da Bassani, mais 15% de argila chocolate da Bassani, 10% de caulim Palmonari, 10% de talco e 10% de quartzo. Esta massa, sem chamote, ficou muito lisa, fina, gostosa de trabalhar, inclusive ao torno. Alguns alunos aproveitaram para treinar a tornear com esta máquina cerâmica de grande utilidade e, também, quase indispensável num ateliê cerâmico. Mesmo a massa com chamote, para raku estava boa de se usar no torno. Isso graças à massa vermelha do rio Miringuava que tem grande firmeza e auto-sustentação em estado cru, quando torneada ou modelada.
Como tenho maromba extrusora e também um torno cerâmico, as coisas fluem facilmente e o resultadio acaba sendo mais qualitativo.
Nesta semana, como as peças secaram, depois de acabadas, foram queimadas em forno elétrico. Aproveitamos para uma queima de Raku, pois as peças da primeira parte do curso, queimadas sem nenhuma perda, em forno elétrico, estavam prontas.
Os vidrados de raku sempre produzo na hora. Colemanita com argila branca ou caulim, com ou sem óxidos colorantes. Uso, também, carbonato de sódio, apesar de ser solúvel, o que dificulta a técnica de pintura, porém funciona como informação básica sobre solubilidade dos vidrados.Ao carbonato de sódio, de alta solubilidade, adiciono argila para formar uma suspensão e, para aumentar o ponto de fusão, sílica, e mais os corantes. Os azuis de carbonato de cobre são os do antigo Egito e tem aquela atração milenar dessa coloração belíssima. No mais, uso uma base alcalina, quase sempre o CMF 096 e adiciono um opacificante, argila e corante cerâmico. Assim, com os óxidos de cromo, cobre, cobalto, ferro e manganês, vou obtendo as colorações básicas dos vidrados. Evito bases plúmbicas porque, em redução, tendem a ficar cinza.
Foi um curso tranquilo. As pessoas trazem um lanche, ou alguma comida preparada. Somando tudo, fica mais harmônico e gostoso. Um bom lanche, ou almoço, garante uma continuação de trabalhos com renovação de ânimos....

domingo, 1 de novembro de 2009

CURSO DE CERÂMICA BÁSICA EM CAMPO MAGRO-PR


A cidade de Campo magro fica na Região Metropolitana de Curitiba. No ano passado dei um curso e construí um forno para queima de biscoito. É o mesmo forno que construo em meus cursos. Este forno apresenta várias qualidades. A primeira é que se presta muito bem para o uso de queima de biscoito cerâmico. Ele também é muito barato, pois pode ser feito com tijolos comuns, dois, quatro, seis furos, tijolos usados, refratários, isolantes, etc. A facilidade de construção é notória. Basta dizer que, num dia de trabalho, com 4 pessoas dá para concluir a obra. Depois de construído, sempre espero uns 10 dias para fazer a primeira queima. Nos meus cursos não dá tempo para fazer a cura do forno. A cura vem a ser a primeira queima para queimar o próprio forno, primeiramente. Senão, a queima já com peças, fica muito mais longa e prejudicada, pois o forno ainda não está completamente seco e queimado. Como o rejunte dos tijolos é feito com massa das argilas que encontro no próprio local onde construo o forno, ele precisa ser queimado para, então, fazer parte do próprio forno.
Quando faço uma queima de biscoito normalmente demoro umas 8 a 9 horas. Dificilmente dá para diminuir esse prazo, a menos que eu carregue na massa areia e chamote. Por isso são notáveis as queimas diretas a céu aberto, de uma hora ou um pouco mais. A qualidade das peças fica um pouco prejudicada nestas queimas rápidas. O resultado da queima de biscoito nestas queimas de forno como aparece na fotografia é de grande qualidade. Claro que a massa tem que ter um componente plástico testado. Ele é que vai dar a resistência à cerâmica. Por isso é que se encontra cerâmica vermelha, ou seja, tijolo de péssima qualidade, porque a mistura da massa não contempla um percentual de argila bem plástica, ou porque carregam no anti-plástico para diminuir o custo, já que o plástico é mais difícil de ser encontrado.
Fiz duas queimas de cerâmica nestes 8 dias de curso em Campo Magro. O forno já estava bem curado. O resultado foi excelente. A trabalho cerâmico estava parada neste local onde retornei, para reativar a vontade de continuar a produzir cerâmica. Estas queimas foram muito bem feitas. O forno está funcionando perfeitamente. Fiquei impressionado com a simplicidade da queima. O consumo de lenha foi muito baixo. Como usam-se galhos finos para as 3 horas finais de queima, e, na região tem muita vassoura (também chamada caparaoca) e eucalipto ( que é a melhor), foi moleza.
O local é o Recanto Nativo, onde a Sandra e o Ozir comandam uma propriedade Agroecológica. Eles são uma espécie de alavanca para impulsionar uma série de atividades que envolvem a agricultura orgânica e o desenvolvimento artesanal da região.
É difícil, às vezes, conseguir-se com que as pessoas se envolvam num trabalho novo, como é a cerâmica. Mas com vontade, insistência conseguimos motivar as pessoas para a fabricação inicial de vasos simples para cultivo de suculentas e cactáceas, como uma forma de agregar valor ao trabalho. Nesta propriedade que tem restaurante e inclusive pousada, vêm muitos turistas e podem ser vendidos estes vasos. Sei muito bem que quando se começa um trabalho artesanal de confecção de vasos simples, com desenvolvimento artístico incipiente, não se pode concorrer com uma olaria que fabrica vasos torneados com torneiros no metiê há quinze anos ou mais, produzindo um enormidade por dia. O preço destes vasos é ridículo de baixo. Então, os vasos confeccionados manualmente tem que ser diferenciados e agregar valores, como é o caso das plantas
"O carpinar é sozinho, a colheita é comum", já dizia o Riobaldo Tatarana.