terça-feira, 26 de maio de 2009

VOLTANDO A TIBAGI-PR







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Voltei duas semanas de quatro dias para complementar meu curso de Cerâmica Básica em Tibagi. Como o curso é pelo SenarPR, precisava novas 10 pessoas, adultas para viabilizar o meu curso. Aquelas pessoas que fizeram o curso anterior também participaram, porém não todas. Bem, primeiro fiquei feliz por poder retornar a Tibagi e complementar minhas aulas, dar um aperfeiçoamento para aqueles que se interessaram. O afluxo de pessoas foi interessante, apesar da divulgação ter sido aquém do que poderia ter sido feito. Tibagi continua sendo um local de grande potencial para o desenvovimento do artesanato Cerâmico. Tinham ficado pendentes os testes com as argilas locais. Agora que complementei os estudos, juntamente com o que pesquisei do Mineropar, concluí que, realmente, a argila local, para queima a 800 graus centígrados não é boa. A resistência à flexão é mínima. Este teste é feito com placas de 14 cm x 4 cm, com 1 cm de espessura. Pegamos a amostra queimada e quebramos e comparamos com outras argilas queimadas da mesma forma, de procedência externa, por exemplo de Curitiba, a que eu uso no meu ateliê. A minha é resistente, tem boa sonoridade. A de Tibagi é fraca o som é abafado. A retração de queima foi de 9% = boa.
A solução já tinha sugerido anteriormente, comprar argila plástica de outra procedência. Como conhecia a massa de Balsa Nova, que é preparada com 4 argilas e vendida ao preço de 10 centavos o quilo, articulei para que a Prefeitura local, juntamente com o Sindicato Rural de Tibagi, comprassem de Balsa Nova e levassem para o ateliê uma quantidade razoável de massa preparada. Conclusão, conseguimos que se disponibilizassem 6.400 kgs de massa preparada, posta num caminhão da Prefeitura, no terreno da Atiart (associação de artesanato). É uma quantidade prá lá de boa, aliás, nunca tinha visto anteriormente tanta massa pronta disponível para qualquer curso que eu tenha participado. Chegando esta quantidade formidável de massa, todos os participantes da oficina entraram em cooperação para a descarga e arrumação dessa massa cobrindo com plástico para não endurecer. Este estoque poderá durar por 4 ou 5 anos se usada corretamente. Fica a responsabilidade para que os próprios participantes da oficina tomem o controle da situação e distribuam de forma correta para que não se desperdice, mas que sirva como fonte de aprendizado e de renda. Realmente é estimulante poder trabalhar com fartura de massa.
Durante esta nova etapa de curso em Tibagi, fizemos duas queimas no forno artesanal construído anteriormente. Como o forno já tinha sido queimado, estas duas novas queimas foram excelentes. O forno comportou-se perfeitamente e nas duas queimas apenas tivemos uma quebra por estouro, que quando analisada verificou-se que ficara uma bolha de ar no interior da peça, o que ocasionou a detonação.
Visitei o Museu de Tibagi e aproveitei para aprender algo sobre a cidade. Vi, pela primeira vez um seixo rolado de caldeirão. Seixo perfeitamente esférico e fiquei enlevado com a Natureza, sempre me surpreendendo, até nestas cosinhas pequenas. Amostras de diamentes aí garimpados, como também outras pedras preciosas fazem parte do acervo. A cerâmica indígena também está presente, de origem caingangue. Aproveito sempre para salientar a necessidade dos participantes do curso de cerâmica irem observar as peças indígenas cerâmicas, agora com novos olhos. Sob o ponto de vista de quem está modelando cerâmica. Daí pode ser observado a cor da massa, a decoração, a espessura das peças, a qualidade da queima e , principalmente, a qualidade estética e o modelado.É uma redescoberta para todos e uma admiração pela nossa cultura indígena tão desprezada e depreciada.
Tibagi tem Natureza. Observei que administrações anteriores fizeram um parque, no centro da cidade, que tem acesso até o Rio Tibagi. Parece meio abandonado, mas sente-se que foi feito para entrar em contacto com Rio. É uma pena que hoje, com a televisão alugando o dia inteiro as pessoas, poucas aproveitem a beleza natural que Tibagi tem. Pude ver um bando de garças passando a noite numa árvore. Estavam lá de manhãzinha e fotografei. O som das corredeiras tão terapêutico e ancestral é um lenitivo para nossas alma. Desta vez que estive em Tibagi aproveitei para acordar cedinho e caminhar pela cidade e observar como ela acorda, as pessoas indo e vindo, as crianças indo para a escola. Aliás, acho uma imagem belíssima ver uma criança indo para a escola com seu uniforme e sua pasta.
Percebi que houve uma evolução na qualidade de modelado em cerâmica desde a primeira vez que estive em Tibagi. O aprendizado cerâmico, repito, é demorado, mas tem pessoas hábeis e que conseguem um resultado em curto espaço de tempo. O ideal seria que houvesse um investimento maior na cidade, na geração de renda, como pelo Provopar, por exemplo. A Associação fez um pedido ao Provopar de Curitiba e estão aguardando resposta. Se positivo, seria uma resposta magnífica, pois neste caso até o Sindicato Rural entraria com uma ampliação nas instalações da Associação, para abrigar um forno elétrico e um torno cerâmico elétrico. Isso permitiria que, com treinamento, o artesanato evoluísse para poder ficar em condições de produzir cerâmica de alta qualidade, tanto artesanal de baixa temperatura, como, também, de alta. Não que não se possa fazer uma cerâmica de qualidade com o que se tem, muito pelo contrário, basta ver o resultado da cerâmica indígena com sua altíssima qualidade.
Fiz a minha parte, dediquei-me inteiramente, articulei para que a associação recebesse a massa em quantidade mais do que suficiente, deixei pronto pedido para chegada de equipamentos e construção de instalações (devo dizer que os cursos foram ministrados em locais improvisados).

quarta-feira, 15 de abril de 2009

VIVÊNCIA DE RAKU-GRUPO ALTERNATIVO





Dando continuidade à série de Vivências de Raku, tive um encontro que foi muito interessantes com um grupo de pessoas ligados à terapias alternativas. Desde modo, pessoas com interesses diferentes, no seu dia a dia, também aproveitam para aprender cerâmica e encantar-se com os rápidos resultados desse tipo de queima. O mais bacana desse negócio é que existe uma união entre as tribos de pessoas que olham o nosso mundo contemporâneo de forma diversa, acreditando na melhoria do Homem no Planeta Terra. Essa melhoria tem a ver com o auto-desenvolvimento e com a atitude direta da própria pessoa frente à vida. Não é somente um papo de final de semana sentado nalgum lugar para resolver sua vida e na segunda feira começa no batente, esquecendo tudo o que botou prá fora, de suas ansiedades, suas decisões, mas, na verdade, não sai da mesma. Plagiando um velho conhecido: "o bom é beber com alguém que não se lembre nada no dia seguinte"...
A Cerâmica artística artesanal é uma forma alternativa de sobrevivência e também de atitude. O nosso mundo lotado de falsas ilusões, de promessas, vem exaurindo a humanidade e o planeta. Vemos nosso clima mudar de forma radical e ainda tem pessoas que estão afirmando que nada tem a ver, que são ciclos naturais. Todavia qualquer idiota está vendo que cambiou totalmente a temperatura e a humidade em praticamente todas as regiões. Aqui em Curitiba, por exemplo, nos anos 70 era a cidade da garoa, como São Paulo, agora nada disso, garoa raramente vemos. As vazões dos rios tem diminuído, a temperatura aumentou absurdamente. Quando forma uma geada aqui no primeiro planalto paranaense, não segura nem dois dias. Naqueles anos acima citados eram semanas de frio e geada. Não sou saudosista, apenas lamento e fico muito desesperançoso por tudo isso que vejo. Não consigo olhar a vida, o planeta, de forma local. Prá mim está tudo interligado, o Homem, a Natureza, o Universo. Por isso, a minha vida está baseada neste ponto de vista. A Vida no planeta terra é muito maior do que a civilização humana. A Terra, no Universo, é apenas uma poeira, um grãozinho de nada, perdido nas vastidões infinitas do Desconhecido. Mas ao contemplarmos a natureza, com sua diversidade, beleza, com sua direção, Inteligência, temos a certeza de que a vida não é "uma anedota, contada por um idiota, cheio de sons e fúria, não significando nada". Com esta consciência, qualquer atitude é uma atitude política, tando no plano pessoal, no social quanto no planetário. Atitudes ecologicamente corretas vem de encontro com as necessidades do Planeta, dentro de uma idéia de Desenvolvimente Sustentável, que se baseia no tripé: Social, Histórico e Ambiental.
Até as argilas são consideradas bens não renováveis, idéia absurda até pouco tempo atrás, mas que agora vem assustar os mais conservadores. Os estoques de caulim, argila plástica, que demoraram milhões de anos para serem formadas, se forem usadas neste ritmo assustador de nossa Civilização, acabará dentro de prazo de poucas centenas de anos, o que é quase nada se olharmos dentro de uma escala de tempo um pouquinha mais ampla. E claro que outras tecnologias serao inventadas, mas o buraco aumenta.
A Vivência dde Raku rolou fácil, tranquila, as pessoas estavam conectadas com o trabalho, o resultado foi excelente. Aprecio sempre a diversidade das formas de pintura principalmente das pessoas que nunca anteriormente tiveram alguma experiência cerâmica. São 3 queimas e o resultado vai aparecendo, na primeira timidamente e depois vai crescendo, melhorando. Como os vasos já estão prontos, porque as peças já estão biscoitadas a 800 graus centígrados, somente é possível decorar as peças, pois seria impraticável modelar e queimar no mesmo dia. Não impossível, porque com uma massa com muito talco e chamote, poderia ser tentado uma monoqueima, com tempo maior de queima. Cada queima é feita em 45 minutos em média. Para uma monoqueima esse tempo teria que ser ampliado. Todavia a monoqueima apresenta algumas desvantagens de ordem prática. A principal que eu acho é que a absorção do vidrado na peça é baixa, exigindo maior técnica de pintura. A massa das pecas que torneio contem muito chamote, areia e talco, somando uns 30%.
Sempre preparo as soluções de vidrados para as vivências. Utilizo poucas cores, no máximo 7, 8, diferentes. Uso azul cobalto, azul cobalto com estanho para dar um vidrado leitoso que acho bonito, verde cromo, o óxido de cobre com as suas possibilidades na redução, dando coloração avermelhada e misturada com verde quando a redução não é muito forte. Preparo, também, um branco com estanho e feldspato, o transparente não pode faltar. Alguns vidrados preparo com colemanita ou bórax, apesar de sempre assustar a platéia quando começa a inchar e borbulhar ao aproximar-se dos 980 graus centígrados que é a temperatura que uso para o raku. A base quase sempre é o cmf 096, barato e que vai bem com os pigmentos.

terça-feira, 7 de abril de 2009

MEIO AMBIENTE-ARGILAS DE BARRANCO




O viés de Meio Ambiente nas atividades alternativas permite que se propague cada vez mais a idéia de preservação. Nunca deixo de aproveitar o gancho das aulas de cerâmica ou das Vivências para dar um toquezinho na necessidade de uma postura preservacionista nas nossas vidas diárias. A opressão que sofremos pelos grandes grupos econômicos que olham a Natureza como uma reserva de matéria-prima a ser explorada e, por extensão, o próprio ser humano, deixam uma margem de manobra para se viver uma vida melhor meio pequena. Vemos claramente como somos explorados nas questões básicas da nossa vida: pagamos por tudo e os preços sabemos não serem baratos. O telefone é um absurdo que parece brincadeira a forma como é enfiada goela abaixo e temos que aceitar porque precisamos de comunicação, com as pessoas tanto diretamente como pela internet. Eu, morando na área rural, estaria ralado se não contasse com a internet, apesar de funcionar capenga e ser caríssima. Pago 120 mangos por mês e a velocidade é baixíssima e mesmo assim preciso e quero. O lixo da atividade humana é algo assustador. Não existe na Natureza lixo que não se recicla. O produzido pela nossa civilização é armazenado e ficará de brinde para as gerações que nos sucederem. Sem falar o atômico, principalmente dos países, a França, Inglaterra, USA, etc. E olhe que eles é que são os CIVILIZADOS. Nós do terceiro mundo sabemos muito bem como somos tratados, pelo nosso atraso cultural e tecnológico, mas o lixo, a poluição, a exploração vem deles, a nacional é copiada nos mesmos termos.
Moro na Estrada da Graciosa, na Serra do Mar, primeiro planalto Curitibano. A paisagem aqui é montanhosa. O Morro Anhangava é cartão de visita de Quatro Barras que é a cidade onde moro. Na foto o Anhangava esta no plano de fundo. Apesar de estar na área rural, fico a 10 km do centro da cidade e a 40 km do centro de Curitiba. Estou cercado pela Serra do Mar. O citado Anhangava que é considerado um morro escola para escalada, tem pista de Asa Delta. Também o Pico Marumbi é muito conhecido por estar ao lado da estrada de ferro que desce até o litoral. Os paranaenses que há décadas sobem estas montanhas substituiram o termo alpinismo, por marumbinismo.O Pico Paraná, com 1964 metros de altitude está à vista, é o ponto mais alto do sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul).
Aproveito também a atividade humana, que em termos ambientais parece uma agressão, porém, necessária, para o meu tabalho. Por exemplo, agora estão asfaltando a Estrada da Graciosa, a mais antiga estrada do Paraná. O movimento de corte de barranco apresentou uma variedade colorações de argilas para se fazer engobes, que é uma alegria aproveitar. Argilas amarelas, roxas, lilás, vermelhas, brancas, até bentonita é explorada nesta região, salmão, rosada, todas estas cores aparecem nos barrancos. Como tenho meu ateliê na Serra do Mar, a qual é composta principalmente de granito, que é quartzo, mica e feldspato, misturados, as argilas decorrentes da decomposição dessas rochas são abundantes. Tem uma argila branca, plástica que as pessoas da região chamam de sabão de caboclo, muito boa para compor massas. As argilas coloridas eu vou incorporando nas massas que produzo. Deste modo vou obtendo cores , tons variados nas minhas massas artesanais. Também os engobes naturais são muito interessantes. Estas argilas também podem ser usadas para pinturas de paredes de alvenaria, ou até paredes alternativas de adobe. Os pigmentos naturais permanecem com a mesma cor, sempre, já que é o ultimo estagio da oxidação das rochas.
Por isso, nunca compro massa preparada, sempre componho as minhas. É muito fácil, simples, e quando se pega o traquejo, a independência de massas é fundamental. É claro que quando quero uma massa de coloração branca, quando preparo um grês, uso argila e caulim de mineradoras locais, que, direto da fonte, são baratas. Aqui na região Metropolitana de Curitiba temos mineradoras de argilas de queima branca muito plásticas, caulins aluminosos excelentes para queimas até 1300 graus centígrados.Estas argilas de barranco são sempre anti-plásticas, portanto entram na composição das massas com até 30%. Porém suficiente para predominarem na coloração da massa. Existe uma variedade de granulometria nestas argilas e sempre é preciso, quando não se tem prática, testar a quantidade colocada para a massa não ficar pouco plástica e rachar com facilidade no modelado. Quando se olha um barranco que foi cortado por uma maquina, pelo brilho do corte pode ser avaliado a granulometria da argila. Os barrancos mais brilhantes sao os de argila mais fina. Para peças de terracota, ou seja, sem decoração com vidrado, as argilas de barranco são mais interessantes ja para peças vitrificadas elas funcionam melhor como engobe.

domingo, 5 de abril de 2009

V IVÊNCIA PORANGABA - RAKU



No dia 21 de março, jutamente com a Ceramista curitibana Ocléris Muzzilo, fiz uma Vivência cerâmica no meu ateliê. Estas Vivências para pequenos grupos, de 10 a 13 pessoas tem uma rapidez e fluência muito interessante. Esta Vivência foi planejada para um grupo de mulheres esposas de franceses que vem ao Brasil para trabalhar nas fábricas de automóveis. Como, por legislação, não podem trabalhar no nosso país, muitas dedicam-se a desenvolver seus dotes artísticos. O Joaquim, ceramista português, que estava construindo o forno catenário aproveitou para participar, bem como a Alexandra Camillo, de Campo Grande que participara também da construção do forno citado.
A Vivência de Raku tem uma particularidades especiais. Este tipo de queima de cerâmica é muito rápida e apresenta resultados lidos imediatamente. Por isso os participantes, em 3 queimas, podem vivenciar esta técnica e ainda levar seus resultados para casa. As peças, 3 para cada participante, são pintadas e durante o dia completamos 3 queimas. Na sequencia das queimas há, sempre, uma evolução evidente e o resultado é recebido com muita satisfação.
Preparo nestas vivências quase sempre vidrados não tóxicos, eliminando os de chumbo e os vermelhos, laranjas e amarelos de cádmio e selênio evito ao máximo, apesar da atração destas cores para todos. Como é um dia apenas de Vivência, começa às 9 da manhã e termina às 17 horas, e os participantes quase sempre não tem experiência anterior e por isso o uso dos vidrados tóxicos ( Pb, Se, Cd) não é visto com muito cuidado e é necessário estar junto para que não fiquem espalhados pelo ateliê = mesa e chão. Todo ceramista deve sempre ter muita atenção para estes vidrados porque, ao longo do tempo se luvas, máscaras, bonés e toda proteção não for seguida à risca, a intoxicação por metais pesados fatalmente afetará o desavisado.
A queima de Raku permite uma ação rápida que é ótimo porque todos ficam intensamente atraídos pela experiência. Além disso, aproveitando o fato de ser uma Vivência e por isso entende-se uma interação entre os participantes, o espaço do ateliê, o espaço físico onde acontece a Vivência, no caso a chácara onde moro, tudo transcorre de forma muito agradável. Enquanto o forno esá ligado para chegar na temperatura de 980oC, aproveita-se para dar uma caminhada pela chácara, que tem 50% de área de preservação, um córrego e cachoeira, portanto, ainda natureza. Aproveito sempre, nestas Vivências., para deixar evidente meu comprometimento com o meio ambiente, na preservação, cuidado e respeito pela Natureza e neste sentido, além das palavras, ainda coloco à disposição dos interessados mudas de flores, frutíferas, ervas medicinais que tenho e sempre espalho pelo nosso planeta. Quero dizer também que sempre ganho muitas flores, frutíferas e ervas, nos locais onde dou curso ou visito. Esta troca é fundamental para criar um patrimônio genético que pode ser usufruído por todo mundo, Principalmente porque o mundo inteiro está preocupado com taxas de crescimento e o Meio Ambiente e a Natureza estão indo prás cucuias, sem o menor escrúpulo.

sexta-feira, 27 de março de 2009

FORNO CATENÁRIO





Foram quatro dias de construção do forno catenário. Definição do local, preparo do chão, limpeza dos tijolos (comprei usados e parte deles foi necessário dar uma limpada), confecção da zimbra, preparo das massas, etc. Foi demorado, tudo teve que ser decidido. O Joaquim Parreira Pimentão, ceramista português que comandou a construção definia os parâmetros a serem seguidos e a equipe mandava bala. Foi um pouco cansativo "descascar"tijolos com facão, enxada ou machadinha, quero dizer, limpar os tijolos usados que ainda tinham massa grudada. Mas, aos poucos, a obra foi saindo. Usei tijolos de alta alumina. Parte deles, continham até 65% de alumina, mas a maioria com 47% de alumina, aproximadamente. Com esse material, a maioria usado, tenho condições de subir a temperatura do forno para 1300 graus centígrados tranquilamente.
O forno catenário tem aquela curva belíssima. O aspecto do forno tem um charme especial e achei um encaixe perfeito no terreno do meu ateliê. Usei para a construção do arco somente tijolos novos que tinham sido queimados a 1400 graus centígrados, alguns pareciam até vitrificados. Comprei um cimento refratário especial para esta parte da construção. Para o rejunte das demais partes do forno preparei uma massa com as argilas e caulins aluminosos aqui da região de Curitiba. O chamote também é o refratário comprado da cidade da Lapa aqui do Paraná. Para a parte externa adicionei 30% de serragem para melhorar o isolamento do forno.
Foi uma construção um pouco vagarosa, mas foi indo, indo. Alguns dias uma leve garoa caía e improvisei uma cobertura que ficará até que forno esteja completo, quando, então, providenciarei uma construção que servirá também para proteger as lenhas.
Assim que o forno estiver bem seco farei uma nova vivência, juntamente com o Joaquim que tem experiência bastante grande em vidrados de Sal e inauguraremos o forno. Bem este forno estou construindo com o objetivo de fazer queimas com vidrados a Sal. Esta vivência que pretendo fazer será aberta aos interessados que ganharão uma peça ou a levarão já pronta e faremos a queima.
Preparamos, também, no final da Vivência de Construção do forno alguns quilos de massa para cada um dos participantes. Usei uma argila plástica, outra mais plástica ainda, aqui da Região Metropolitana de Curitiba, com alta alumina, adicionei 5% da argila vermelha plástica que uso sempre em minhas massas, para dar um tom mais escuro, mais um chamote grosso para o aspecto rustico, um pouco de areia, caulim aluminoso e um pouco também de filito avermelhado. Esta massa, para alta temperatura, será testada com o vidrado de sal.

quarta-feira, 25 de março de 2009

CURSO CERÂMICA BÁSICA EM TIBAGI-PR







Neste mês de março completei um curso de Cerâmica Básica na cidade de Tibagi, aqui no Paraná. Este curso foi patrocinado pelo Senar-PR. São 64 horas, oito dias. Neste curso construí, junto com os participantes, um forno na primeira etapa de depois na segunda etapa queimamos as peças. Este forno atinge 800 graus centígrados. Forno construido com tijolos comuns, de 4 furos. Usamos como combustível galhos finos de eucalipto para a parte final da queima. O eucalipto é uma lenha excelente para queimar cerâmica. A bracatinga e a vassoura também são lenhas ótimas, só que estas duas últimas são mais leves, gasta-se mais lenha, porém dão muita chama e quase nada de brasa, o que é uma vantagem. Saiu tudo certinho. Algumas peças apresentaram coração negro. O problema destes cursos, com relação à queima é que o forno é recém construído e ainda não foi queimado. Por isso, a primeira queima, já com as peças, fica mais difícil, o resultado ainda não é o melhor do forno. A queima é feita em 8 a 9 horas, ou seja, durante um expediente normal de trabalho. É tudo muito rápido.
Os participantes não conheciam queima de raku, por isso, para melhor ilustrar essa possibilidade levei meu forno feito em tambor de metal revestido com fibras cerâmicas, que é muito leve e cabe tanquilamente no carro. É uma mão de obra levar esse forno, mas o resultado é muito positivo e as pessoas gostam demais e anima a turma para trabalhos futuros, que é o meu objetivo. Sempre tenho que encontrar argila plástica na própria localidade para usar e ensinar como se prepara uma massa. Primeiramente procuro por uma olaria, para facilitar o trabalho. Se a massa da olaria for boa, posso usar diretamente no artesanato e isso economiza muito tempo. Todavia, em Tibagi, apesar de ter duas olarias, os tijolos fabricados são pouco resistentes e a massa não se presta muito para modelado. Ela presta-se bem para peças prensadas, como placas, por exemplo. Mas para confeccionar panelas não serve. Não tem resistência à tração. Arrebenta com muita facilidade. Procurei e não encontrei nenhuma argila plástica que susperasse essa dificuldade. Levei um pouco da argila plástica que uso, das margens do Rio Miringuava, de São José dos Pinhais, na região Metropolitana de Curitiba, misturei com as argilas de Tibagi e o resultado foi bom. Conclusão: o ideal é importar um pouco de argila plástica de outra região, o que deixo sugerido e com enderêço. No caso, argila plástica de Balsa Nova (também próximo de Curitiba).
O curso não tem continuidade, porque terminado o mesmo não retorno mais a Tibagi, a menos que solicitem este curso para o Senar. Isso não é bom, porque esfria o ânimo daqueles que participaram do curso. Entabular uma negociação junto ao poder público para montar um centro de cerâmica é complicado. Somente se conseguisse um patrocínio. Bem, Tibagi tem características diferenciadas e poder-ia fazer um trabalho da melhor qualidade. Por exemplo, em Tibagi já foi local de extração de diamantes, o que ainda é feito com produção baixíssima, mas tem a tradição do garimpo que que pode ser incorporado ao artesanato cerâmico, incluindo algumas pedras semi-preciosas que existe na região, principalmente nas bijuterias. Tibagi tem uma cooperativa com sede própria, onde a tecelagem é o forte do artesanato. Muito bem feito, usando principalmente lã de carneiro. Também pode ser usado cerâmica para compor o artesanato de tecelagem. Por isso, acho que Tibagi é um grande lugar para se fazer um trabalho completo, com resgate histórico, incorporação no artesanato local com design, etc. Tá lá, pronto, pedindo.
Este trabalho de cerâmica é tão intenso, exige tanto que, por vezes, esqueço de fotografar. Não é moleza! Procuro uma massa para trabalhar, para isso saio pelos locais conhecidos na cata de material usável. Ensino as técnicas básicas de cerâmica. Construo forno. Acabamento nas peças e depois queima. Tudo novidade. Sempre encontro pessoas com habilidades que aprendem rapidamente e , em seguida, já apresentam melhoria e alguns dão salto de qualidade. Isso é gratificante, por isso vale o esforço. Encontro, também, pessoas que já conhecem algum ofício de artesanato escultórico, como é o caso do Rosnei e do Reale, daí fica fácil para todos.
Tibagi é uma cidade que atrai muitos turistas. Já foi considerada, há poucos anos, a Melhor Cidadezinha do Brasil. O cânion do Guartelá fica a 20 km da cidade. Este cânion é belíssimo. Vem pessoas de toda parte para visitá-lo. Tem um parque com 800 hectares. Acampei nas cercanias do parque após o término do curso. Gostei demais de caminhar pelas trilhas e sentir as vibrações fantásticas daquele ambiente de arenito, formado no período devoniano. A foto é de lá. Numa delas aparece uma parte protegida com rocha avançando, formando uma proteção. Neste local encontram-se alguns desenhos considerados milenares.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Construção de Forno Catenário

VIVÊNCIA DE CONSTRUÇÃO DE FORNO CATENÁRIO



Estou convocando todos os interessados em aprender a construir um FORNO CATENÁRIO, à lenha, para queima de cerâmica a 1250 graus centígrados.
Este forno sera usado para vidrados a SAL.


O QUE É:

Forno catenario tem esse nome devido ao formato da abóboda. Vem de cadena, catena, catenario, corrente. Se pegarmos uma corrente de metal e a segurarmos nas duas pontas, a curva formada pelo peso próprio do material chama-se curva catenaria. Se desenharmos esta curva, por exemplo, numa chapa de compensado e rebatermos a curva inferior e girando-a como parte superior, teremos a curvatura da abóboda do forno, curva do forno catenário. Depois disso é construir a zimbra (estrutura que segura a montagem da abóboda para que os tijolos não caiam) e usar como apoio.
Pretendo construir um forno deste formato aqui no meu espaço cerâmico. O volume interno do forno, útil, sera de, aproximadamente, 90 cm x 90 cm x 90 cm.
Será um forno de tiragem invertida. Tiragem invertida é quando a chaminé começa da altura do chão do forno. O calor do fogo sobe e para sair terá que ser pela parte inferior do forno,. A chaminé sera de aproximadamente 4 vezes a altura do forno. A construção usará tijolos refratários de alta densidade. O forno terá duas entradas para lenha, laterais.


ONDE:

O forno Catenário sera construído no Ateliê de Cerâmica de Giberto Narciso, no Sítio Porangaba, na Estrada da Graciosa de Quatro Barras – PR, Região Metropolitana de Curitiba. Quem quiser participar e não souber como chegar, é só confirmar a participação e solicitar mapa. Aqui tem Hotel, próximo, SOL INN, novo, com preço especial. Para chegar até a chácara, será resolvido de acordo com cada caso.


QUANTO TEMPO DEMORA:

Está prevista a construção em no máximo 4 dias, pois pretendemos construir tudo, desde a zimbra, preparo da massa de rejunte, e assentamento de todos os tijolos, mais ainda a camada isolante após o tijolo refratário.







QUEM VAI CONSTRUIR:

Todos os participantes da Vivência podem colocar a mão na massa é é essencial que isso aconteça, pois com uma equipe funcionando tudo fluirá melhor, talvez em menor prazo.
A construção sera comandada pelo Ceramista Português Joaquim José Parreira Pimentão. É especialista em vitrificação a sal e construção de forno catenario. Sobre o Joaquim, seu trabalho cerâmico, estaremos mostrando nos dias da construção, inclusive apresentando-o para a comunidade cerâmica participante. Joaquim chegou recentemente no Brasil e está começando a trabalhar aqui no Paraná.


QUANTO CUSTA:

Para os 4 dias de Vivência, podendo ser fotografado, filmado, etc, o custo será de R$ 180,00 por pessoa. Neste valor estão incluídas as 4 (quatro) refeições, café da tarde, garrafa térmica com chá e café permanentemente, com bolachás, pão, etc.
O preço do pacote é o mesmo para qualquer número de dias que a pessoa queira participar. Número máximo de pessoas = 15.


O QUE MAIS TEM:

O ateliê ficará à disposição de todos os participantes com toda a sua infraestrutura para confeccionar algum trabalho. Para isso cada participante terá direito a 5 kgs de massa para alta temperatura que deverá ser confeccionada por ele próprio, com os equipamentes, materiais existentes e assessoria minha, caso não saiba como compor uma massa de alta temperatura.
O que for produzido poderá ficar no ateliê ou ser levado embora. Pretendemos, posteriormente, fazer nova vivencia, de um dia, para a queima de VIDRADO DE SAL, onde o participante poderá queimar a própria peça.
O ateliê fica numa chácara com espaço verde, riozinho, que pode ser aproveitado.


QUANDO:

A Vivência está programada para os dias 17, 18, 19 e 20 de marco, terça, quarta, quinta e sexta-feira, com início às 9 horas da manhã e término às 17 horas, de cada dia.








COMO CONFIRMAR A PRESENÇA

Para confirmar a participação, entrar em contacto com e-mail gpnarciso@hotmail.com, o quanto antes possível, para garantir a estratégia sem falhas principalmente no número de participantes.


PAGAMENTO:

Após a confirmação entrarei em contacto com o interessado para efetivação dos detalhes.


Um abraço para todos e quero completar dizendo que a construção do forno será feita independente do número de pessoas..